Saúde

‘Abril Azul’ reforça sobre a conscientização do espectro autista

publicado em 9 de abril de 2021 - Por BJD

Abril é o Mês de Conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A Organização das Nações Unidas escolheu o dia 2 para celebrar a data, no entanto, a conscientização ocorre o mês inteiro.

O autismo afeta o sistema nervoso e existem vários subtipos do transtorno de acordo com os níveis de comprometimento. A medicina ainda não conhece o que causa o autismo, no entanto, existem evidências de que haja predisposição genética.

As características mais comuns são dificuldade com a linguagem e comportamento repetitivo e restritivo.

Como é um transtorno e não uma doença, o TEA não tem cura, um diagnóstico precoce permite que a criança tenha mais qualidade de vida através de acompanhamento interdisciplinar.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que, em todo o mundo, uma em cada 160 crianças tenha o transtorno. No Brasil, os dados ainda são muito limitados, mas informações do Censo Escolar mostram que o número de alunos com autismo que estão matriculados em classes comuns no Brasil aumentou 37,27% entre os anos de 2017 (77.102) e 2018 (105.842).

A presidente da Associação de Mães e Pais de Autistas (Amadas) de Bragança Paulista, Clélia Oliveira Santos, disse ao BJ que o papel da associação é acolher e orientar. Além de famílias bragantinas, pessoas do país inteiro procuram a página da ‘Amadas’ no Facebook em busca de orientação.

“Para muitos pais a aceitação é difícil e tudo depende do apoio que eles tiverem. Diariamente orientamos sobre terapias, direitos, apoio entre pais, como ajudar o filho, sobre a união familiar”, disse a presidente.

Há ainda casos de pais que identificam em si características de autismo e a dificuldade de obter diagnóstico é ainda maior. Clélia explicou que no SUS ainda é muito precário o acompanhamento por conta da demanda de pacientes, às vezes faltam profissionais e há morosidade para consultas. “A situação piora quando adolescentes e adultos procuram atendimento, quem tem condições recorre à rede particular. A Prefeitura está ciente da necessidade de termos um núcleo especializado para autistas e cobramos isso há anos”.

A professora Olga Picarelli Capozzoli descobriu o autismo de seu filho, Gabriel Picarelli Capozzoli aos quatro anos e disse que recebeu com tranquilidade o diagnóstico. “Recebi o diagnóstico com calma, pois, como professora, eu vejo o que posso fazer pelo meu filho. O conselho que dou para mães é que lutem com todas as armas à disposição. Já vi várias vezes mães de alunos meus descobrindo autismo, síndrome de Down, entre outros, e ficarem se lamentando. Se Deus te deu limões, faça uma limonada”, concluiu.

Hoje em dia o Gabriel é um jovem de 22 anos, trabalha no McDonalds e diz que vive uma vida normal. Para ele, ser autista é ser uma pessoa diferente das outras. “Sei que sou autista e me sinto bem com isso. Trabalho todos os dias, com uma folga por semana e faço aulas particulares de inglês”. Nas horas vagas ele gosta de assistir TV, ler a bíblia, desenhar e compor personagens montando figurinos com roupas. “Uso roupas que tenho em casa e empresto do meu pai, faço fantasias de explorador, cowboy, do espantalho do Mágico de Oz e professor”, conta.

Ele aconselha os pais que estão descobrindo o autismo agora em seus filhos, a sempre “terem amor e carinho, paciência e falar de Deus para eles, além de tentarem entender o estado psicológico e emocional dos filhos”.
Dos planos para o futuro, Gabriel sonha em um dia conhecer uma mulher com valores compatíveis aos seus para constituir uma família, mas garante que não tem pressa para isso. “Se eu tiver um filho autista, com certeza vou entender o que se passa com ele”.

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