Cotidiano

Instituto IPÊ defende plantio de árvores para sanar impactos da seca no Sistema Cantareira

publicado em 24 de abril de 2021 - Por BJD

O primeiro quadrimestre de 2021 está entrando para a história do Sistema Cantareira como o período que registrou os menores volumes de água desde a crise hídrica de 2014 a 2016. O Sistema abastece cerca de 7,6 milhões de pessoas na região metropolitana de São Paulo, além de Campinas e Piracicaba.

Segundo o coordenador do Projeto Semeando Água, iniciativa do IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas com apoio da Caterpillar Foundation, Alexandre Uezu, a primeira quinzena de abril já apresentou tendência de queda no volume. “Com o término do período das chuvas, temos seis meses pela frente da época mais seca na região – abril a setembro. Desde o período de crise hídrica, o Sistema vem registrando níveis abaixo da média histórica na precipitação de chuva. Em abril, até o dia 21, o Sistema Cantareira registrou apenas 10,2% do volume esperado de chuvas para o mês”.

O coordenador do Projeto Semeando Água defende ainda o plantio de árvores nas áreas próximas às nascentes e aos cursos d’água (chamadas APP hídricas – Áreas de Preservação Permanente) para sanar os impactos causados pelo período de estiagem. Para isso, seria necessário o plantio de 35 milhões de árvores apenas nas áreas próximas às nascentes e aos cursos d’água, uma vez que 60% delas estão desmatadas, segundo o Atlas do Sistema Cantareira, elaborado pelo IPÊ.

“Quando a água da chuva encontra as condições necessárias para infiltrar, ela é liberada aos poucos, em especial nos períodos de estiagem, como este que estamos começando a enfrentar. No cenário atual, a gente ainda desperdiça a água da temporada de chuva, por conta da degradação do solo: quando ela cai, não consegue infiltrar. Além desse desafio, a tendência de aumento de eventos extremos, como a seca prolongada, efeito da emergência climática vivenciada no mundo, é um alerta a mais para a região”, completa Alexandre.

O consumidor também tem a oportunidade de contribuir com a própria segurança hídrica quando escolhe consumir alimentos dos produtores locais. “Afinal, quem produz alimentos de forma sustentável é também produtor de água. Quando o consumidor faz essa opção de dar preferência aos alimentos produzidos por produtores da região do Sistema Cantareira, ele apoia os negócios desse produtor e assim soma esforços com a própria segurança hídrica”, completa Uezu.

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