Coronavírus

São Paulo inicia testes clínicos em voluntários para a vacina contra o coronavírus

publicado em 22 de julho de 2020 - Por BJD

Foi iniciada na terça-feira, 21 de julho, a testagem da vacina contra o coronavírus no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

O imunizante foi aplicado nos primeiros voluntários, dando início ao estudo que será conduzido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac Life Science, parte do grupo Sinovac Biotech.

“Ao longo dos próximos três meses, os voluntários serão acompanhados por uma equipe científica, com acompanhamento inclusive de supervisores internacionais dado ao fato de que essa é uma das mais avançadas vacinas do mundo que entra na sua terceira fase de testes, já tendo superado as fases 1 e 2 com grande sucesso”, afirmou o governador João Doria que acompanhou o início da testagem.

O Hospital das Clínicas da FMUSP é o centro coordenador do estudo clínico que será realizado em 12 centros de pesquisa de cinco estados e do Distrito Federal. Na capital paulista, também participam o Instituto de Infectologia Emílio Ribas e o Hospital Israelita Albert Einstein. Ainda no Estado de São Paulo, foram selecionadas a Universidade Municipal de São Caetano do Sul, o Hospital das Clínicas da Unicamp (Campinas), a Faculdade de Medicina de Rio Preto e o Centro de Saúde Escola da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto. O estudo também será conduzido em centros em Belo Horizonte (UFMG), Rio de Janeiro (Fiocruz) Brasília (UNB), Curitiba (UFPr) e Porto Alegre (PUC-RS).

“O Hospital das Clínicas tem uma larga experiência em estudos clínicos desse porte. É mais um passo fundamental no enfrentamento da Covid-19. Além de ser o principal centro de atendimento a pacientes graves com a doença do país e com diversos protocolos de pesquisa, agora nossos profissionais também poderão ajudar com os testes clínicos sobre a vacina”, afirmou Esper Kallás, professor titular de Moléstias Infecciosas e Parasitárias da FMUSP.

A fase 3 do estudo recrutará cerca de nove mil profissionais de saúde que trabalham em instalações especializadas para Covid-19 nos doze centros de pesquisa distribuídos por todo o Brasil, dos quais 890 profissionais são profissionais do HCFMUSP. Nos demais centros, a testagem iniciará progressivamente na próxima semana e a previsão é de que seja concluída nas 12 instituições até meados de setembro.

PERFIL DOS PARTICIPANTES

Para participar do estudo, o candidato não pode ter sofrido infecção provocada pelo novo coronavírus, nem ter participado de outros estudos. As mulheres não podem estar grávidas ou estarem planejando uma gravidez nos próximos três meses. Outra restrição é não ter doenças instáveis ou que precisem de medicações que alterem a resposta imune. Eles serão acompanhados durante um ano no Hospital das Clínicas da FMUSP por uma equipe multidisciplinar que envolve médicos, enfermeiros e farmacêuticos.

Entre os recrutados, metade receberá duas doses do imunizante num intervalo de 14 dias e a outra metade receberá duas doses de placebo, uma substância com as mesmas características, mas sem os vírus, ou seja, sem efeito. Essas pessoas serão monitoradas pelos centros de pesquisa por meio de exames entre aqueles que tiverem sintomas compatíveis à Covid-19. Assim, poderá ser verificado posteriormente se quem tomou a vacina ficou de fato protegido em comparação a quem tomou o placebo.

VACINA DE OXFORD

Cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, anunciaram nesta semana que, de acordo com resultados preliminares, a vacina da universidade para a Covid-19 é segura e induziu resposta imune no corpo dos voluntários. Os resultados, que já eram esperados pelos pesquisadores, se referem às duas primeiras fases de testes da imunização. A terceira fase está ocorrendo no Brasil, entre outros países.

O efeito deve ser reforçado após uma segunda dose da vacina, segundo os cientistas.

No final do mês de junho, o Ministério da Saúde anunciou uma parceria para a pesquisa e produção nacional da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford, do Reino Unido, e a farmacêutica AstraZeneca.

O acordo prevê a transferência de tecnologia e a compra de lotes da vacina. Se for comprovada a eficácia da imunização, ao menos 30,4 milhões de doses serão entregues em dois lotes: 15,2 milhoÞes em dezembro de 2020, e 15,2 milhões em janeiro de 2021, com prioridade para o grupo de risco e para profissionais de saúde. Após as primeiras duas entregas, segundo o ministério, ainda poderão ser produzidas mais 70 milhoÞes de doses para distribuição a partir do Sistema Único de Saúde (SUS).

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