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Você sabe o que é MUVUCA?

publicado em 22 de setembro de 2020 - Por Ambiente em Pauta

Muvuca – palavra de origem indígena e africana. Aglomeração ruidosa de pessoas, agito, buchicho, grande confusão; tumulto.

Mas temos um outro conceito e significado muito interessante usado no meio rural e ambiental:”Muvuca” – técnica de misturar sementes, ajuda a recuperar áreas degradadas; ciência e arte de plantar; mistura de sementes de varias espécies nativas, florestais, agrícolas e de adubação verde com areia; saberes dos povos indígenas, agricultores familiares, produtores rurais e agroindustrial, com o plantio manual e também industrializado.

Com tantas queimadas deixando o solo destruído, com os desmatamentos, a degradação das APP (áreas de preservação permanentes), chegou o momento de pensarmos na técnica da muvuca.

Desta forma, ONGs, Prefeituras, instituições, empresas e universidades, vêm pesquisando a melhor forma de recuperar as áreas degradadas com reflorestamento adequado, buscando diversas técnicas, ou seja, adaptando saberes antigos às novas tecnologias.

Duas experiências relevantes: uma no oeste da Bahia, e outra em áreas indígenas, território Xingu. O município de Luís Eduardo Magalhães, a 940 km de Salvador, capital do agronegócio, desde 2011 implanta a Campanha LEM APP 100% LEGAL, um  incentivo aos produtores para recuperar 100% das APPs no município com a “técnica da muvuca”.

Neste período diversos métodos de recomposição vegetal foram testados, com destaque à “técnica da muvuca “, a melhor solução na recuperação de áreas de cerrado e no oeste baiano, e quem sabe também para nossa região. Esta técnica, por ser de custo mais baixo em relação a outros métodos, tem grande aceitação por parte dos produtores, consegue colocar o dobro de arvores por hectare com metade do custo que seria um plantio com mudas. Esta técnica utiliza sementes de espécies do bioma local.

O trabalho, que está sendo desenvolvido entre a prefeitura, sindicatos, associações e consultores ambientais, deve ser ampliado em toda a Bahia pelo sucesso alcançado. O município de Luis Eduardo Magalhães possui  a Casa da Semente, implantada para armazenamento  das sementes,  espécies pesquisadas para o bioma local, utilizadas para esta “técnica da muvuca”.

Possuem também uma rede de coletores de sementes, treinados na coleta de sementes. Este comércio movimenta uma economia paralela ao mercado local, pois moradores da área rural, com baixa renda, se beneficiam desta atividade que complementa o orçamento familiar.

As áreas que já têm o método implantado estão servindo não apenas à proteção e recuperação ambiental, mas também têm atraído estudantes e professores. A iniciativa tem funcionado como campo de pesquisa científica.
A iniciativa é importante porque garante as políticas de conservação voltadas para qualidade e quantidade dos recursos hídricos, no sentindo de mobilizar os produtores rurais, em prol da recuperação das APPs, das áreas que foram queimadas.

Outra experiência vem acontecendo junto ao Instituto Sócio Ambiental ISA, com o coordenador técnico de restauração florestal, Eduardo Malta,  com o coletivo mutirão agro florestal e com as aldeias indígenas  no território  Xingu (PA),utilizando esta “técnica da muvuca” com sucesso.

Antes da implementação da técnica muvuca, a recomposição vegetal em áreas agredidas era feita principalmente por meio de ações de plantio de mudas. Também era possível que a recomposição de algumas áreas acontecesse pela ação da natureza, em desvantagem, pois demora para que as espécies cresçam.

Esta atividade  permite não somente a restauração das APPS, das áreas degradadas , mas também  ser usada numa horta agro florestal, em entressafras de plantações, para a formação de  pastos com sombra, observando as  combinação das espécies,  adubação verde e espécies nativas, fazendo uma composição de mix com sementes que variam de acordo com o bioma  local e com os objetivos de quem planta. Um pouco de conhecimento e curiosidade para diversificar  sua leitura.

Se você apreciou o texto, quer dar sugestão de novos temas no “ Ambiente em Pauta” ou até completar ou questionar algo,  entre em contato biamaia238@gmail.com

 Contribuição de Bia Maia, integrante da Associação  Bragança Mais e Coletivo Socioambiental