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TRANSFORMAÇÃO NAS CIDADES – CIDADE X SAÚDE PÚBLICA

publicado em 6 de abril de 2020 - Por Ambiente em Pauta

Quando falamos que uma cidade é viva, percebemos a existência das ruas, dos bairros, do centro, com casas, prédios, escolas, igrejas, mercados, supermercados, fábricas, comércio, hospitais, indústrias, aeroportos, praças, que são as partes físicas da cidade.

Mas a cidade é viva, pois temos as pessoas, os carros, as bicicletas, os ônibus, os metrôs, os aviões, que ali circulam, os eventos, os cultos, as feiras livres, as reuniões sejam internas ou externas, sejam familiares, de amigos ou de trabalho, toda esta movimentação faz parte da cidade.

Quando surge um problema urbano como uma epidemia ou pandemia, a preocupação para que esta não se alastre pela cidade é a restrição de aglomeração, ou seja, restrição do uso da cidade como um todo.

Anteriormente com o acontecimento das enchentes nas cidades, onde isto provocou um caos, muitas pessoas responsabilizaram os governantes, a falta de infraestrutura, de limpeza urbana, de fiscalização pública com a construção de casas nas encostas (áreas de risco), faltou uma urbanização adequada e medidas de gestão pública.

O problema do Covid -19 esta aí, dentro das cidades, podemos perceber que a densidade demográfica em alguns locais são maiores, isto é, em comunidades, favelas e até mesmo em conjuntos habitacionais, sejam verticais ou horizontais. Precisamos entender que hoje os centros urbanos são mais comerciais e administrativos que residenciais.

Assim a concentração das pessoas só acontece nos centros quando estão trabalhando. No caso de uma pandemia existe maior concentração nos locais residenciais, ou seja nos mini apartamentos, nos barracos, com vielas onde só passam pedestres, bicicletas e motos. Caso uma ambulância precise chegar, não chega, se iniciar um incêndio também não tem como o bombeiro chegar, locais sem segurança, esta é a situação, a nossa realidade.

Esta configuração urbana nas cidades brasileiras precisa ser analisada com uma reflexão sobre a maneira que se viver nas cidades, com relação a trabalho, moradia, lazer, circulação, saúde e segurança, sendo que cada cidade tem a sua particularidade, temos que pensar na nossa cidade.

O crescimento desorganizado precisa de legislações, de fiscalização, de diretrizes, de urbanização controlada e sustentável, com um planejamento territorial adequado, com medidas de gestão pública, com infraestrutura mínima para que num momento destes consigamos superar uma pandemia, uma crise, um incêndio, uma enchente, um deslizamento.

Sem falar na conservação e preservação ambiental e do patrimônio cultural e artístico.

Se já é um desafio para as cidades, para seus governantes um desafio maior nestes locais aglomerados que terão que ficar em alerta, pois o contágio do vírus é muito rápido e nosso sistema de saúde não tem estrutura, nem de profissionais e nem de equipamentos.

A transformação urbana já esta acontecendo, seja na melhoria do trânsito, seja na diminuição da poluição do ar, dos rios e praias, seja na solidariedade das pessoas, seja no acolhimento, na reflexão pessoal e espiritual.

Mudanças de comportamento nas pessoas que buscam se organizar nos serviços de casa e nos trabalhos profissionais, organizar-se com o tempo. Tudo era novidade nas nossas vidas, agora é um novo cotidiano, uma nova realidade.

Momento de pensarmos como um coletivo sobre a nossa cidade e nossos governantes. Vamos valorizar o comércio local, vamos ajudar nosso próximo!

# FIQUE EM CASA #

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Contribuição de Bia Maia integrante da Associação Bragança Mais e Coletivo Socioambiental.