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Qualidade de vida e as multifuncionalidades das infraestruturas verder

publicado em 10 de novembro de 2020 - Por Ambiente em Pauta

Sabe aquele famoso ditado: “nada se cria, tudo se copia”? Podemos dizer que assim são as infraestruturas verdes. Suas técnicas buscam “imitar a natureza por meio da adoção de uma engenharia suave, trabalhando com a paisagem e se aproveitando dela para dar soluções multifuncionais e sustentáveis de longo prazo” (BRANDÃO, CRESPO, 2016). Soluções essas muitas vezes utilizadas para mitigar os impactos causados pelas infraestruturas cinzas (ou infraestrutura urbana construída).

Resgatando uma frase do arquiteto Buckminster Fuller: “Você não muda as coisas lutando contra a realidade atual. Para mudar algo é preciso construir um modelo novo que tornará o modelo atual obsoleto”, podemos dizer que o habitual uso de infraestruturas cinzas nos municípios não possibilita perceber as inúmeras possibilidades de técnicas menos impactantes no âmbito ambiental, social e econômico que as infraestruturas verdes motivam em sua integral aplicação ou em conjunto com as próprias infraestruturas cinzas, possibilitando minimizar seus impactos através do equilíbrio entre as técnicas.

Em junho deste ano o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) lançou o Guia para implantação de infraestruturas verdes com o intuito de auxiliar gestores públicos municipais na elaboração de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento sustentável em três escalas de aplicação, que são: Aplicação regional em escala de paisagem (bacia hidrográfica), como aplicação de corredores verdes urbanos e espaços naturais protegidos; Aplicação Local em escala de ruas, bairros e praças, como lagoas pluviais, pavimentos permeáveis, e canteiro pluvial; Aplicação particular em escala de edificação, como jardim vertical, teto jardim e cisternas.

Além de apresentar o passo a passo para escolha da melhor técnica de infraestrutura verde que atenda ao município, o guia também traz um estudo de caso detalhado da implantação de infraestrutura verde na Subprefeitura do Butantã, em São Paulo-SP, possibilitando conhecer estratégias de obtenção de dados e metodologias que, mesmo que não possam ser aplicados de forma integral aos municípios devido suas individualidades, possam ser utilizados como referência e inspiração.

Tal guia possui uma linguagem simples e de leitura leve, que possibilita que nós, sociedade civil, possamos conhecer as possibilidades de implantação de infraestruturas verdes e, dessa forma, reivindicar aos gestores públicos soluções que proporcionem qualidade de vida, respeito ambiental e uso adequado do dinheiro público.

Para saber mais: Guia para implantação de infraestruturas verdes: https://www.ipt.br/publicacao/236-guia_metodologica_para_i mplantacao_de_infraestrutura_verde __livro_eletronico_.htm

Raquel da Silva Pinto, Engenheira Ambiental e Sanitarista, colaboradora do Coletivo Socioambiental e Associação Bragança Mais.