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As três pilastras do desenvolvimento sustentável

publicado em 7 de julho de 2020 - Por Ambiente em Pauta

Sustentabilidade. Certamente você já ouviu e leu muito essa palavra. Até mesmo aqui na nossa coluna, nos textos que produzimos. A palavra em si se tornou um dos substantivos mais utilizados nos últimos tempos.

Sabemos que o termo sustentabilidade refere-se ao princípio da busca pelo equilíbrio entre os recursos naturais e sua preservação com a sua exploração por parte da sociedade. Essa definição está vinculada com o conceito de Desenvolvimento Sustentável estabelecido pelo Relatório de Brundland, como “aquele que atende as necessidades das gerações atuais sem comprometer a capacidade das gerações futuras de atenderem às suas necessidades e aspirações”.

Tal modelo padrão, como normalmente é apresentado, possui três dimensões de equilíbrio, denominados como Tripé da Sustentabilidade, onde “para ser sustentável, o desenvolvimento deve ser economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente correto”. Tal conceito foi criado em 1990 por John Elkington, porém analistas e pensadores se deram conta de um vazio neste tripé, por não conter elementos humanísticos e éticos.

Desta forma, na busca por humanizar o desenvolvimento sustentável, já nos são apresentadas três pilastras complementares ao tripé:
Gestão da mente saudável: essa pilastra visa resgatar, reacender no ser humano sentimentos de pertencimento e reconexão com a natureza, a fim de despertar a transformação do sistema Terra/Humanidade e desenvolvimento. Uma transformação de pertencimento ao ambiente, à natureza, onde, muitas vezes, é vista ou sentida como algo isolado, uma natureza em segundo plano e não parte do ser, da vida.

Generosidade: ainda mais necessário nestes tempos, não?! Fazendo o uso de metáforas, para Leonardo Boff a generosidade se difere da “filantropia do dar o peixe aos famintos” ou da responsabilidade social das empresas que “ensinam a pescar”. Essa pilastra vem como um pedido real de vivenciar a sustentabilidade, preservando o rio que permite a pescar e com o peixe matar a fome. É o verdadeiro pensar e agir coletivamente.

Cultura: nossos valores, hábitos sociais ou religiosos são heranças do que já vivenciamos e vivemos, são bagagens que levaram décadas para se estabelecer. Essa pilastra traz a necessidade de uma nova cultura de habitar a terra, um novo modelo necessário de convivência com nossa casa comum.

A busca por mudança no padrão de desenvolvimento sustentável continua. Temos pilastras em fase de elaboração e mudanças que podem ocorrer nas já elaboradas. Mas o que nos chama a atenção é a busca por uma sustentabilidade real, destacando a necessidade de mudança inicial do ser humano, do querer do indivíduo para a ação coletiva.

A transformação é constante e que bom que assim ela é. Percebemos de forma cada vez mais clara a necessidade de repensar padrões estabelecidos algumas vezes de forma “mecanizada” e reorganizá-los de forma humanizada através da “mudança da mente e do coração” (Leonardo Boff).

Sugestão de leitura: “Sustentabilidade. O que é – O que não é”, de Leonardo Boff
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Raquel da Silva Pinto, Engenheira Ambiental e Sanitarista, colaboradora do Coletivo Socioambiental e Associação Bragança Mais.