Saúde

Mal de Parkinson

publicado em 29 de março de 2018 - Por Gislaine Gutierre / Folhapress

Pacientes com mal de Parkinson podem não apresentar tremores

Em vez de ter esse sintoma, pessoa pode apresentar rigidez muscular e lentidão nos movimentos

Tremores não são um sintoma obrigatório do mal de Parkinson. A doença, descoberta há 200 anos, pode se manifestar de outras maneiras, incluindo, por exemplo, lentidão de movimentos, escrita com letras pequenas e até perda ou redução da capacidade de sentir cheiros.

“Não é tão raro haver pacientes sem tremores, mas não sabemos por que isso ocorre”, diz o professor de neurologia da Unifesp (Universidade Federal de SP) e membro da ABN (Associação Brasileira de Neurologia) Henrique Ballalai Ferraz.

João Carlos Papaterra Limongi, neurologista do Grupo de Distúrbios do Movimento do Hospital das Clínicas e também da ABN, diz que os sintomas motores clássicos são tremores, rigidez muscular e lentidão. A presença de dois deles costuma indicar o diagnóstico.

Mas a doença é bem mais complexa que isso. Limongi conta que, antes de sinais motores, o paciente pode ter depressão, ansiedade, intestino preso e redução ou perda do olfato. A pessoa também pode gesticular conforme o que sonha. Na fase tardia, pode haver dores, fadiga, sonolência excessiva e, em alguns casos, demência.

Em uma explicação simples, o que ocorre no parkinson é que o cérebro deixa de produzir a dopamina, neurotransmissor que mantém os movimentos do corpo (sejam os automáticos, como caminhar, ou aqueles que permitem duas tarefas ao mesmo tempo). “O paciente sai do automático e tem de pensar cada gesto, cada ação”, explica Limongi. A dopamina também age na parte emocional.

Embora não haja cura para o mal, os médicos dizem que é possível viver bem por anos. Ferraz diz que fisioterapia e fonoaudiologia podem auxiliar. As causas do parkinson não são conhecidas, mas o risco de filho ter a mesma doença do pai é de cerca de 1,5%, segundo Limongi.

 

Cirurgia só é feita na fase avançada

O tratamento do parkinson é feito com remédios para reduzir sintomas, mas que, com o tempo, podem provocar movimentos involuntários. A cirurgia, sempre na fase avançada, pode ser implantação de eletrodo ou em microlesões no cérebro, para inibir atividade em certas áreas do cérebro. A diferença, dizem especialistas, é que é possível tirar os eletrodos depois. Na microlesão, não tem como “voltar atrás”.