Saúde

Expedição bragantina ao barco hospital Papa Francisco na Amazônia realiza mais de 1.300 atendimentos

publicado em 18 de outubro de 2019 - Por BJD
Equipe de profissionais de Bragança Paulista; atrás o Barco Hospital Papa Francisco (Foto – Divulgação HUSF)

Há duas semanas, o Bragança-Jornal publicou uma matéria informando que uma equipe de profissionais do Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus (HUSF) havia embarcado para a primeira expedição na Amazônia, para trabalhar no Barco Hospital Papa Francisco, recém-inaugurado pela mantenedora do HUSF, a Associação e Fraternidade São Francisco de Assis na Providência de Deus.

Segundo o coordenador da expedição, Murillo de Oliveira Antunes, médico preceptor de Clínica Médica e Cardiologia, foram realizados mais de 1.300 atendimentos, além de cirurgias e exames.

A equipe retornou a Bragança no último final de semana. Em entrevista ao Bragança-Jornal na noite de quinta-feira, 17, Murillo falou sobre a expedição e da realidade encontrada na Amazônia. “Foi uma experiência muito boa. Inicialmente chegamos numa comunidade ribeirinha bem distante chamada Sabina, onde não tinha energia elétrica, sinal de internet e nem televisão. É uma comunidade bem afastada mesmo, que é rodeada por outras comunidades e as pessoas que vinham de barco para trabalhar também receberam atendimento. Nós encontramos uma grande quantidade de crianças e idosos com assistência à saúde bem carente, várias pessoas necessitando de cirurgias relativamente simples, o que chamamos de média complexidade, como cirurgia de hérnia, vesícula”, contou inicialmente o médico.

Segundo Murillo, a equipe precisou fazer uma cirurgia de urgência em uma criança com apendicite.

“Identificamos um grande problema de saúde bucal nas crianças, grande quantidade de gestantes adolescentes, de 14, 15 e 16 anos, e doenças verminosas. Realmente uma carência de atendimento primário”, avaliou o médico.

“Ficamos por três dias e depois fomos para outra comunidade, uma vila na verdade, chamada Juriti Velho, que fica no afluente do Rio Amazonas. Lá já tinha luz elétrica, mas também carente na assistência à saúde, de médicos e remédios. Lá tem um posto de saúde, com alguns horários de médicos, mas que não dão conta da demanda. Realizamos vários atendimentos em crianças, fizemos cirurgias. Encontramos também pessoas hipertensas, uma doença comum em cidades mais urbanizadas, mas que tinham pouco conhecimento de uso de medicação. Tomavam o remédio uma vez e achavam que era para parar, ou seja, não tinham educação nenhuma na saúde. Ficamos mais três dias e voltamos para Santarém e depois para São Paulo”, relatou.

“Nós percebemos que são pessoas que estão desassistidas na saúde, não só disso, mas do governo de uma forma geral. São doenças graves que precisam ser orientadas, como saúde bucal, uso de medicamentos, a média de gravidez é de 6 a 7 por mulher, ou seja, não tem orientação nessa área”, disse.

“Sem dúvida foi uma experiência valiosa. Já temos um calendário para voltarmos. Todos os meses haverá expedição”, finalizou Murillo.

A expedição bragantina contou com 9 profissionais: Alexandre Augusto Albigiante Palazzi (dentista); Igor Arantes de Oliveira Góes (médico residente de Cirurgia Geral); Miguel Simão Haddad Filho (dentista); Murillo de Oliveira Antunes (médico preceptor de Clínica Médica e Cardiologia); Rodrigo Sader Heck (médico cirurgião geral); Sérgio Daniel Leite Crivelin (médico oftalmologista); Srdan Zelenika (médico radiologista), Thassia Nathalia Petrillo (médica residente de Clínica Médica); e William Luiz Iared (médico residente de Anestesiologia).

Ao todo foram realizados 1.342 atendimentos, entre consultas de clínica geral (605), ginecologia (244), odontologia (157), oftalmologia (196) e neurologia (140). Também foram realizados 102 exames de raios-X, 82 mamografias, 293 ultrassons, 422 exames laboratoriais, 215 exames oftalmológicos, 36 internações e cirurgias, 31 pequenas cirurgias e 725 atendimentos de farmácia.