Saúde

Doações de sangue em baixa: descubra como fazer a sua parte

publicado em 9 de janeiro de 2021 - Por BJD
Evaldo Landi é médico hematologista do Hemonúcleo do HUSF (Divulgação)

Interessados podem comparecer no Hemonúcleo do HUSF das 7h30 às 13h00, de segunda-feira a sábado

A doação de sangue é um ato de solidariedade fundamental no auxílio de cirurgias e procedimentos médicos. O estoque do Hemonúcleo do Hospital Universitário São Francisco (HUSF) está baixo e, por isso, a reportagem do Bragança-Jornal conversou com o médico hematologista Evaldo Landi, que esclareceu como fazer a doação, sua importância e quais os requisitos.

Atualmente o estoque do Hemonúcleo do HUSF está baixo, segundo Evaldo. Indagado sobre os impactos da pandemia nas doações, o médico disse que identificou um equilíbrio no período. “Houve uma pequena diminuição de abril a junho, quando o isolamento foi mais forte, depois tendeu a uma normalização. Teve diminuição na doação, mas também no consumo”, explicou.

Em relação ao tipo de sangue mais utilizado, o hematologista afirmou que são os do tipo O e A, mas que todas as doações são importantes e que geralmente há um equilíbrio entre o tipo sanguíneo dos doadores e a necessidade dos pacientes. “Todo sangue é importante”, frisou.

Não saber qual o tipo sanguíneo não deve ser motivo de desistência da doação. O médico afirma que essa é uma maneira, inclusive, de descobrir. Para ser doador de sangue é preciso que a pessoa tenha boa saúde, ter mais de 50 kg e estar entre os 16 e 60 anos para primeira doação. Caso a pessoa já seja doadora, ela pode permanecer doando até os 69. “O mais importante é ter vontade de ajudar o próximo”, reforça o médico, que alerta que para doações entre 16 e 17 anos é preciso autorização de um responsável. “A pessoa não deve estar gripada, resfriada ou ter algum tipo de sintoma como febre, emagrecimento ou estar indisposta”, salienta sobre os pré-requisitos.

Evaldo lembra a recomendação de que o doador tenha tido uma boa noite de sono e que faça uma refeição leve pela manhã. “Não venha em jejum, tome bastante líquido e faça uma alimentação sem muita gordura”, destaca.

Especialmente em períodos mais quentes, como no verão, a hidratação é muito importante. “Às vezes a pessoa tem vários afazeres e o tempo está muito quente, fazendo com que ela não tome líquidos e acabe chegando desidratada”, alerta.

O intervalo de doação é de dois meses para pessoas do sexo masculino, podendo ser feitas até quatro doações por ano. Já para pessoas do sexo feminino, são três doações no ano com um intervalo de três meses.

A doação de sangue leva em torno de 40 minutos. O hematologista explica que é feito um cadastro, depois uma triagem física e clínica antes da coleta. “Na triagem física é verificado peso, altura, pressão e se a pessoa tem anemia. Se estiver tudo adequado é feita uma triagem clínica, por meio de uma entrevista, para saber se a pessoa tem algum problema de saúde, se teve alguma exposição considerada de risco, doença infecciosa recente ou se toma algum medicamento, além da orientação sobre como é feita a coleta e quais cuidados o doador deve ter”, explica.

A doação de todos os tipos de sangue são importantes

Evaldo afirma que 99% das pessoas não têm efeitos colaterais. Algumas têm queda de pressão por ficarem nervosas, por exemplo, e ficam alguns minutos em observação, mas sem maiores prejuízos.

“A única forma de obter esse produto é por meio de doadores, não temos como fabricar proteínas e células importantíssimas para as pessoas que têm dificuldade de produzi-las ou que temporariamente estão precisando ter um aporte. Os hemocentros dão suporte para todas as cirurgias que são realizadas e dependem de sangue. Ela também é importante para pessoas que fazem tratamento quimioterápico e que não produzem plaquetas ou que têm problemas de coagulação que precisam repor esses fatores”, destaca.

Em cada doação são obtidos três produtos. “O concentrado de hemácias, utilizado para transfundir em quem está com anemia, para melhorar o transporte de oxigênio. As plaquetas, células importantes na coagulação. E o plasma, que utilizamos também para reposição de fator de coagulação”, explicou o médico.

Uma das consequências da falta de sangue nos Hemonúcleos é o adiamento de cirurgias eletivas. “Fazemos isso para deixar o sangue disponível para quem precisa em situação de urgência. É um transtorno quando isso acontece, pois as pessoas esperam muito tempo por uma cirurgia ou um procedimento, e ele tem que ser suspenso”, ressalta.

O horário de funcionamento para coleta do Hemonúcleo do HUSF é das 7h30 às 13h00, na Avenida São Francisco de Assis, 260, Jardim São José. Embora não seja necessário, quem preferir pode fazer um agendamento prévio, que garante um atendimento mais rápido, pelo número: (11) 2490-1240, também das 7h30 às 13h.

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