Saúde

Dia histórico para a cardiologia bragantina: HUSF realiza implante de válvula aórtica via cateterismo

publicado em 31 de maio de 2019 - Por BJD
Segundo o HUSF, a cirurgia inédita foi um sucesso e paciente passa bem (Crédito: Mariane Schuller/HUSF)

Altamente avançada, a intervenção médica raramente é realizada longe dos grandes centros cardiológicos nacionais e internacionais

Nesta semana, o Hospital Universitário São Francisco na Providência de Deus (HUSF) foi protagonista de um dia memorável para a cardiologia da região bragantina.

A instituição realizou, pela primeira vez em sua história, um implante de válvula aórtica via cateterismo, procedimento raramente cumprido longe dos grandes centros urbanos nacionais e internacionais. A intervenção inovadora e altamente avançada ocorreu na tarde da última segunda-feira, 28 de maio, no Departamento de Hemodinâmica Van Gogh.

O complexo procedimento é realizado quando há o diagnóstico de estenose valvar aórtica (estreitamento da válvula do vaso sanguíneo principal que se ramifica do coração, a aorta) doença que, quando não tratada cirurgicamente, mata metade dos pacientes em apenas dois anos. Porém, como 1/3 dos pacientes não podem ser submetidos à cirurgia devido ao alto risco, é necessário recorrer à troca de válvula via cateterismo – um processo minimamente invasivo.

“A troca valvar, neste caso particular, é realizada mediante um procedimento de cateterismo cardíaco com pulsão na artéria femural. E poucos profissionais no Brasil estão aptos a realizar tal implante, tamanha a sua complexidade. Neste contexto, o médico José Armando Mangione, membro de nossa equipe e responsável pela intervenção concluída brilhantemente na última segunda-feira, é referência nacional”, detalhou Murillo Antunes, chefe do Departamento de Cardiologia do Hospital Universitário São Francisco.

Honrado com o êxito da delicada intervenção médica, Murillo Antunes explicou que, devido à tecnologia necessária para o cumprimento do implante de válvula aórtica, o procedimento, atualmente, é exclusivo dos convênios médicos. Contudo, o cardiologista se mostrou otimista quanto à incorporação do processo – popularmente designado como “TAVI” – à rede do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Por ter salvado a vida de milhares de pacientes com restrições cirúrgicas, o implante de válvula aórtica é um sucesso no âmbito cardiológico mundial. Portanto, o SUS tem avaliado a incorporação do TAVI em seus serviços. Espero que, em pouco tempo, os usuários da rede pública possam ser contemplados com esse procedimento tão essencial”, afirmou Murillo.

Da esq. para a dir: Luiz Felipe Wili, José Armando Mangione e Bruno Stefani (Crédito: Mariane Schuller/HUSF)

 

Matéria completa na edição impressa de sábado, 1º de junho.