Saúde

Bragança Paulista terá pela primeira vez ações do Maio Roxo na USF

publicado em 28 de abril de 2018 - Por BJD
O Prof. Daniel Castilho, médico proctologista, e alunas receberam reportagem do BJD no ambulatório do HUSF (Foto: Tárcio Cacossi/BJD)

Objetivo é fazer um alerta para as doenças inflamatórias intestinais

Pela primeira vez em Bragança Paulista serão realizadas ações voltadas ao Maio Roxo, campanha de conscientização sobre as doenças inflamatórias intestinais, em função do Dia Mundial da Doença Inflamatória Intestinal (DII), celebrado oficialmente no dia 19 de maio.

O médico proctologista do Hospital Universitário São Francisco (HUSF) e professor da Universidade São Francisco (USF), Daniel Castilho da Silva, a residente em proctologia Paula Novelli, e alunas da USF receberam a reportagem do BJD na tarde da última quinta-feira, 26, no ambulatório do Sistema Único de Saúde (SUS) do HUSF para esclarecer dúvidas a respeito da doença de Crohn e da retocolite ulcerativa.

“A doença de Crohn pode acometer da boca ao ânus, ou seja, todo o trato gastrointestinal, e também pode ter manifestações na articulação e na parte ocular. Os pacientes podem apresentar diarreia, muco e sangue nas fezes, além de perda de peso, febre e distensão abdominal. A retocolite é parecida, mas é limitada ao intestino grosso, e a de Crohn extrapola esses limites. O diagnóstico para diferenciar uma da outra é muito difícil. Precisa de uma série de exames, como história clínica, endoscopia, colonoscopia, exames de sangue e imagem (ressonância e tomografia). Ambas as doenças têm formas mais brandas e mais graves. O tratamento inclui medicação via oral, uso de injeções e até cirurgias. É uma doença multifatorial, tem relação com dieta, hábitos de vida como o tabagismo, histórico familiar e principalmente a genética”, explicaram.

“Por serem doenças pouco conhecidas, às vezes os pacientes demoram mais de um ano para receber o diagnóstico. Acometem principalmente os pacientes jovens de ambos os sexos, o que leva a perda da atividade laboral, influi na parte social e sexual. É difícil prevenir, mas a campanha visa o diagnóstico precoce, para evitar essas complicações, observar se está tendo esses sintomas e procurar um médico”, afirmaram.

No HUSF há um ambulatório do SUS específico para doenças inflamatórias intestinais, que atende 20 pacientes por semana, mas não há atendimento direto. Ao detectar alguns sintomas, o paciente deve procurar um proctologista ou gastroenterologista nos postos de saúde para ser encaminhado ao HUSF.

No Brasil, as DII atingem 13,25 em cada 100 mil habitantes, sendo 53,83% de doença de Crohn e 46,16% de retocolite ulcerativa, segundo dados apresentados no I Congresso Brasileiro de Doenças Inflamatórias no Brasil (GEDIIB), realizado em abril, em Campinas.

Câncer colorretal

Pacientes com DII possuem maior risco de câncer colorretal quando comparados à população em geral. A colonoscopia é o melhor método para diagnosticar e tratar lesões potencialmente cancerosas relacionadas às DII. Sendo assim, a partir de oito a dez anos de diagnóstico do problema no intestino grosso, recomenda-se a realização periódica do exame.

CAMPANHA

Thaís Braga da Mata Santos, presidente externa da Liga de Gastroenterologia da Universidade São Francisco e coordenadora local de uma ONG internacional que representa os estudantes de medicina, a IFMSA (International Federation of Medical Students’ Association), explica que o programa de conscientização vai ser em dois momentos, um em maio e outro em setembro

Em maio haverá uma palestra de conscientização para os funcionários da universidade, ministrada pelo professor Daniel no dia 23, às 14h00.

Serão espalhados pelo campus da USF cartazes doados pela Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e Doença de Cronh (ABCD) com os dizeres: “você já perdeu momentos importantes do seu dia como uma entrevista de emprego por causa do seu intestino?”.

Será realizada ainda uma campanha online de conscientização da doença inflamatória intestinal, através de mídias sociais da universidade e aluno online da universidade, que todos os cursos têm acesso.