Saúde

Automedicação

publicado em 11 de Maio de 2018 - Por Jessíca Lima / Folhapress

Automedicação é perigosa e pode piorar sintomas, remédios para dor de cabeça, azia e ressaca podem causar outros efeitos negativos e até potencializar sintomas

As comemorações, muitas vezes, são acompanhadas de excessos com alimentação e bebida. Azia, má digestão, vômito, diarreia e a dor de cabeça causada pela indesejada ressaca são sintomas comuns, o que leva a um hábito perigoso: a automedicação.

Segundo o Ministério da Saúde, 1 em cada3intoxicações que ocorrem no país têm como causa remédios.

“Quando o assunto é a nossa saúde, toda atenção é pouco. E quando o cuidado com a saúde envolve o uso de medicamentos, essa atenção deve ser dobrada. É comum ouvirmos dizer que o medicamento pode ser isento de prescrição, mas não é isento de risco. As interações são possíveis e as intoxicações podem ser as mais variadas”, alerta Lorena Baía, presidente do Sindicato dos Farmacêuticos de Goiás.

O que pode indicar melhora por um lado, pode piorar de outro. Paulo Ozon, clínico da Universidade Federal de São Paulo, explica que, se uma pessoa tiver problema no fígado, a ingestão de paracetamol, usado para dor de cabeça, não é indicada: o medicamento pode causar falência hepática.

Assim como o ácido acetilsalicílico, composto em AAS, aspirina e dipirona, usado para dor e febre, não é recomendado para quem sofre de problemas gástricos como refluxo, gastrite e úlcera, pois pode piorar o quadro.

“Medicamentos como ibuprofeno ou cetoprofeno, utilizado para dor muscular, febre e inflamação, podem reter sal e água no corpo, e fazer com que a pressão arterial suba, o que é um perigo ainda maior para quem já é hipertenso”, diz o médico.

Outro alerta é sobre o consumo excessivo de bicarbonato, para combater queimação e azia, que pode fazer com que o estômago produza ainda mais ácido e ter efeito oposto ao desejado.

Álcool pode alterar ação de remédio

Para quem está alcoolizado, o uso de medicamentos pode potencializar ou diminuir seu efeito, além de ampliar o risco de uma alteração hepática, gastrite ou levar a complicações neurológicas, segundo especialistas.

A recomendação do médico Paulo Ozon é que se evite, em todos os casos, o uso de remédios desconhecidos. Ele diz que não existe um intervalo ideal entre a ingestão de um medicamento e outro.