Polícia

Vendas de terrenos clandestinos resultam em pedidos de prisão para 4 pessoas

publicado em 21 de abril de 2018 - Por BJD
BJD

Investigação durou cerca de um ano e meio; mais de 30 vítimas foram ouvidas

Após mais de um ano de investigações e coleta de depoimentos de 34 vítimas, a Polícia Civil de Bragança Paulista pediu a prisão de quatro pessoas por parcelamento irregular de solo, estelionato e associação criminosa, além de também indiciar outros seis envolvidos indiretamente na comercialização de loteamentos irregulares no Bairro Boa Vista, zona rural de Bragança Paulista, numa área de aproximadamente 48 mil m².

Os loteamentos levam os nomes “Clube Recreio Portal dos Sonhos” e “Clube Recreio Morada do Sol” e somam mais de 90 lotes. A reportagem do BJD teve acesso ao inquérito conduzido pelo delegado assistente da Seccional, Lauro Mário Melo de Almeida e encaminhado ao Fórum esta semana.

O esquema funcionava da seguinte forma: os estelionatários, disfarçados de corretores, colocavam anúncios dos terrenos na OLX (site de compra e venda). Os interessados – a maioria da capital paulista, com o desejo de ter uma chácara no interior – ligavam e eram atendidos por pessoas que marcavam uma visita aos loteamentos.

Corretores recebiam as vítimas e as levavam aos loteamentos explicando os preços e as condições de venda. Por fim, os contratos eram fechados, a maioria em São Paulo. Na conclusão do ‘negócio’, a transferência bancária aos golpistas era feita após a assinatura de um compromisso de compra e venda apenas, sem registro em cartório.

Uma das vítimas, ao não receber o boleto de janeiro de 2017 via e-mail, entrou em contato com um dos “corretores” do loteamento, que pediu para que passasse o e-mail novamente. Ainda assim o boleto não chegou. A vítima tentou insistentemente novo contato telefônico e não foi mais atendida.

O segundo passo foi ir até o endereço onde fechou o negócio, mas não encontrou ninguém. Num outro endereço que constava no contrato de compra e venda, a vítima também não encontrou os responsáveis.

Outros ficaram sabendo que caíram num golpe através de matérias jornalísticas. O BJD publicou em novembro de 2016 uma reportagem sobre o início das investigações.

A Prefeitura, também procurada pelos compradores à época, realizou diligências no local, na tentativa realizar flagrante. As equipes de Fiscalização e da Guarda Civil foram até o loteamento, mas ninguém foi encontrado. Os empreendimentos foram embargados e as vítimas orientadas a registrar boletins de ocorrência, o que resultou na abertura do inquérito.

A polícia juntou provas através de depoimentos, comprovantes de transferências bancárias às contas dos supostos corretores, reconhecimentos através de fotos entre outras evidências.

Ainda segundo o inquérito, a associação criminosa vem agindo em outras cidades da região, como Vargem e Nazaré Paulista, o que reforça o pedido de prisão preventiva.

“Acreditamos que os depoimentos levantados neste inquérito policial possam ajudar a análise criminal do Ministério Público sobre os fatos pesquisados, portanto, satisfeito está o objeto da apuração criminal”, conclui trecho do inquérito.

A Polícia Civil aguarda denúncia do Ministério Público à Justiça para poder executar as prisões, caso autorizadas, através de mandado judicial.