Polícia

Morador de Bragança é alvo de mandado de busca na Operação ‘Raio X’

publicado em 30 de setembro de 2020 - Por BJD
Entre as apreensões feitas em toda a operação estão duas aeronaves e R$ 1,5 milhão em dinheiro (Deinter 10/Divulgação Polícia Civil)

A Polícia Civil do Estado de São Paulo, por meio de Unidades Especializadas da região de Araçatuba (Deinter 10) e o Ministério Público do Estado de São Paulo, deflagraram na manhã da última terça-feira, 29 de setembro, uma operação contra um suposto grupo especializado em desviar dinheiro destinado à saúde, mediante celebração de contratos de gestão entre municípios e Organizações Sociais (OS).

Um dos mandados de busca e apreensão expedidos foi contra o médico N. M., residente no Euroville, em Bragança Paulista.

De acordo com informações da Polícia Civil, a investigação conta com inquéritos policiais instaurados junto às comarcas de Penápolis e Birigui e teve a duração de aproximadamente dois anos, período em que foram levantadas informações que indicavam a existência de um sofisticado esquema de corrupção envolvendo agentes públicos, empresários e profissionais liberais, bem como o desvio de milhões de reais que deveriam ser aplicados na Saúde. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a ação foi coordenada por agentes da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Araçatuba, com apoio do Deic de Bauru e do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), do Ministério Público.

O esquema

Segundo informações da Polícia Civil, o esquema de desvio de verba pública se dava por meio da celebração de contratos de gestão entre Organizações Sociais e o Poder Público, em sua maioria por meio de procedimentos licitatórios fraudulentos e contratos superfaturados.

No transcorrer da investigação identificaram-se dezenas de envolvidos, divididos em diversos núcleos, cada qual com sua colaboração na prática dos crimes.

Houve ainda a aquisição de grande quantidade de bens móveis e imóveis, sendo que a maior parte da evolução patrimonial do grupo se deu justamente no período da pandemia, quando o suposto desvio de verbas públicas se intensificou ainda mais.

Apreensão

De acordo com a Polícia Civil, em decorrência desse trabalho investigativo foram expedidos 62 mandados de prisão temporária e 237 mandados de busca, sendo 180 no estado de São Paulo e 57 nos demais estados (Pará, Paraná, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul), além do sequestro de bens e valores avaliados em mais de R$ 70 milhões.
Para o cumprimento dos mandados foram convocados 520 policiais civis de São Paulo, 130 viaturas policiais e 2 helicópteros da Polícia Civil, além de promotores de Justiça, agentes de promotoria e agentes das Polícias Civis de outros estados e da Polícia Federal no estado do Pará.

Buscas em Bragança Paulista

Dois desses mandados de busca no estado de São Paulo ocorreram na região, um na cidade de Bragança Paulista e outro em Atibaia. O mandado somente para busca e apreensão na cidade de Bragança, expedido pela 1ª Vara do Foro de Penápoles, foi executado no Residencial Euroville. Os policiais foram recebidos pelo proprietário do imóvel, um médico de 58 anos, sendo apreendidos: uma caminhonete Toyota/RAV4, com placas de Penápolis; a escritura de compra e venda do imóvel onde as buscas foram feitas; documentos relacionados à compra e venda de imóveis e terreno; dois notebooks; uma agenda pessoal; um celular e planilhas de recebíveis da empresa Clinefran, situada no município de Franco da Rocha.

Procurado, o advogado do investigado, Walter Alessandri, disse não poder falar a respeito. “No momento não posso fazer nenhuma declaração. O caso está sob segredo de justiça”, afirmou Walter ao Bragança-Jornal.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a operação como um todo efetuou, até o final da tarde de terça-feira, 49 prisões temporárias e quatro prisões em flagrante por posse irregular de arma de fogo. Também foram apreendidas 2 aeronaves, R$1,5 milhão em dinheiro, 20 veículos, celulares, 8 armas de fogo, munições, computadores e documentos.

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