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Riscos à população: os terremotos (e vulcões) no Brasil

publicado em 12 de junho de 2018 - Por Ambiente em Pauta

Nos últimos dias a mídia foi tomada por uma grande quantidade de informações sobre uma grande erupção do Vulcão de Fogo na Guatemala, país da América Central. Vulcões e terremotos impressionam e mexem com o imaginário das pessoas, pois trata-se de uma força avassaladora para os seres humanos que estão expostos a áreas de risco com esse tipo de fenômeno.

Os vulcões, no Brasil, são relíquias inativas na paisagem. Apesar de não ter entre seus cenários de riscos grandes terremotos e vulcões, o Brasil possui diversos registros de atividades vulcânicas em períodos muito variados, sendo que alguns ainda deixam suas marcas visíveis na paisagem, enquanto outros processos associados ao vulcanismo deixam suas contribuições em riqueza de recursos.

No primeiro caso podemos citar, por exemplo, os vulcões recém-descobertos na Amazônia brasileira; ou o da cidade de Poços de Caldas, no sudeste brasileiro, no segundo caso, com a presença da popularmente conhecida “terra roxa”, que possui origem vulcânica, conhecida por sua grande fertilidade. Atualmente há um consenso que regiões que estão no centro de placas tectônicas, possuem baixo risco de sofrer com eventos desta natureza.

Quanto a terremotos, que também são fenômenos associados à dinâmica do planeta e geram riscos às pessoas expostas nas áreas com tremores de maior magnitude, o Brasil possui monitoramento que indica atividade, ou seja, há diversas áreas com tremores no país.

Em mapa atualizado recentemente por pesquisadores da Universidade de São Paulo, foi possível observar que não só o nordeste brasileiro possui tremores, como também a região do Pantanal, região central de Goiás, a região sul de Minas Gerais e boa parte da Amazônia. O resultado da pesquisa gerou um mapa de ameaça sísmica, que considera apenas eventos potenciais de aceleração do chão, que podem causar problemas de engenharia.

Em geral, os especialistas consideram que no Brasil as construções de residências não precisam prever esses riscos, dada a baixa probabilidade de ocorrência de eventos. Entretanto, para obras que abrigarão grande concentração de pessoas em algumas regiões do país, consideram adequado prever sistemas para potencial ocorrência de sismos (terremotos). A intensidade dos terremotos é medida por uma escala (Richter) que varia de menor que 2 (microtremor, não perceptível) até excepcionais ou extremos (que variam de 9 a 10), que causam devastação em zonas de milhares de quilômetros.

Quanto maior a magnitude do tremor, mais rara sua ocorrência. No Brasil, tremores de 4 graus ocorrem duas vezes por ano, são considerados ligeiros e danos importantes são pouco comuns. Ocorrências de tremores de magnitude 5 ocorrem a cada 4 anos, e podem causar danos a construções mal projetadas e danos leves a construções mais bem estruturadas. Os de magnitude 6 ocorrem a cada 50 anos e podem causar danos num raio de até 180 km em zonas habitadas.

Vale ressaltar que tremores de terra podem também ser causados por grandes obras de engenharia, como construções de grandes reservatórios de água, por exemplo, que pelo peso da água acumulada, podem gerar acomodação de áreas de subsuperfície. Em tese, esse tipo de impacto deve ser previsto e as medidas para controle devem ser estabelecidas em estudos ambientais da obra e projeto.

Patricia Martinelli, Geógrafa, colaboradora do Coletivo Socioambiental e Associação Bragança Mais