Futebol

Jairzinho, o furacão do tricampeonato no México

publicado em 7 de junho de 2018 - Por Ariovaldo Izac

Com a Copa do Mundo da Rússia batendo às portas, é pertinente recapitular a Seleção Brasileira tricampeã mundial no México, há 48 anos. E Jair Ventura Filho, o Jairzinho, entrou para a história daquela competição como único jogador a marcar gols em todos os jogos.

Foram dois na goleada por 4 a 1 sobre a Tchecoslováquia e um nos jogos subsequentes: 1 a 0 sobre a Inglaterra, 3 a 2 diante da Romênia, 4 a 2 nos peruanos, 3 a 1 contra o Uruguai, e outro no desfecho diante dos italianos, na goleada por 4 a 1. Portanto, sete gols em seis jogos. E nem por isso foi artilheiro da competição. Muller, da Alemanha, marcou dez gols.

O Galvão Bueno da televisão brasileira à época era o saudoso Geraldo José de Almeida, com transmissões de futebol caracterizadas por bordões do tipo ‘vamos Brasil, que a tua fé te empurra’.

Pelé rimava como‘craque café’. Rivelino, ‘reizinho do Parque. Gerson, ‘chuteira de ouro’. E quando a bola caía nos pés de Jairzinho, o narrador estufava o peito, empostava a voz, e bradava: ‘Lá vai o furacão da Copa’.

Pouco antes da competição, Rogério era o ponteiro-direito titular. Aí, o treinador Zagallo decidiu abdicar de pontas e improvisou Jairzinho na direita e Rivellino na esquerda, com liberdade para se deslocarem. Afinal, ambos eram camisa dez em seus respectivos clubes, Botafogo (RJ) e Corinthians.

Nascido no dia de Natal de 1944, Jairzinho se transformou de gandula a ídolo do Botafogo, quando assumiu a camisa de Amarildo, ao explorar passadas largas e facilidade na finalização. Essas virtudes foram determinantes para jogar Copas de 1966 até 1974, o que originou histórico de 87 partidas oficiais e 44 gols.

Naquele mesmo ano transferiu-se ao Olympique de Marselha, na França. Dois anos depois, de volta ao Brasil, sagrou-se campeão da Libertadores pelo Cruzeiro. Depois, passagem por Wilstermann da Bolívia, Portuguesa da Venezuela, e clubes menores como Noroeste (SP) e Fast Clube (AM), até o encerramento da carreira no Botafogo em 1981, em retribuição ao clube que o colocou na galeria dos principais ídolos de sua história, com ênfase ao gol de letra marcado na goleada por 6 a 0 sobre o arquirrival Flamengo em 1972.

Ele ainda ‘empresariou’ jogadores e mostrou discernimento para avaliá-los. Hoje, orgulha-se da carreira do filho Jair Ventura no comando técnico do Santos.