Futebol

Éder, o canhão, trabalha no Galo mineiro

publicado em 27 de setembro de 2018 - Por Ariovaldo Izac

Éder Aleixo de Assis honrou a tradição dos antigos ponteiros-esquerdos que pegavam forte na bola, como Pepe e Edu Jonas.

No auge da carreira, na década de 80, soltava cachões do ‘meio da rua’, metáfora que caracterizava chute de longa distância ao gol adversário. Éder colocava efeito na bola, e assim os seus chutes eram mortíferos. Sem velocidade, raramente ia ao fundo de campo, porém tinha bom domínio de bola, escapava de marcadores, e arrancava aplausos ao esticar bola de 40m a outro companheiro. Assim, o colocava na ‘cara’ do gol.

Esse rico histórico no futebol ele contou à garotada dos juniores do Atlético Mineiro quando participou do departamento, e ensinou segredos de como bater na bola. Aí, chamado de professor, a correção era imediata. “Sou apenas o Éder. Nada de seu Éder”.

Recentemente promovido aos profissionais na função de auxiliar técnico permanente, transmite à boleirada experiência que transcende o gramado. Narra seu temperamento explosivo que resultou em 25 expulsões, a mais danosa em amistoso da Seleção Brasileira às vésperas da Copa do Mundo de 1986, quando agrediu injustificadamente um adversário.

Por isso foi cortado da relação dos convocados e ficou de fora daquele Mundial, contrastando com a participação de 1982 como titular absoluto e gols na vitória por 2 a 1 sobre a extinta União Soviética e goleada por 4 a 1 diante da Escócia.

Outra bobeira confessada foi quando ousou enfrentar ladrões armados de revólveres, em defesa de amigo assaltado. Aí acabou vitimado por dois disparos no braço.

Se hoje ele se rotula um ‘poço’ de humildade, capaz de pegar bola ou chuteira para ser levada a um jogador, no passado nem sempre acompanhava a delegação de retorno à cidade do clube em que estava vinculado. Amigos o esperavam em portas de estádios com o carro importado dele. Foi o período de descontrolável assédio das fãs, que o obrigava a se desvencilhar de agarrões.

Afinal, além de craque era boa pinta, vestia-se elegantemente, e isso se repetiu nas passagens por Grêmio, Atlético, Palmeiras e Inter (SP). Foi mais discreto quando esteve no Santos, Sport (PE), Botafogo, Cerro Porteño (PAR), Fenerbach (TUR), União de Araras (SP), Monte Claro (MG), Atlético (PR) e Cruzeiro.