Falecimentos

João Raposo, colunista do Bragança-Jornal, morreu aos 55 anos de Covid

publicado em 31 de julho de 2020 - Por BJD
Foto: Reprodução Rede Social

Morreu na noite da última sexta-feira, 31 de julho, aos 55 anos, o advogado e colunista do Bragança-Jornal, João José Raposo de Medeiros Júnior, o Raposão.

João Raposo estava internado na Santa Casa de Misericórdia desde o dia 7 de julho, com Covid-19. Nessa data (7 de julho), ele falou com o Bragança-Jornal e disse que estava “muito mal”.

Dias depois ele piorou, foi para a UTI e chegou a ser intubado. Segundo pessoas próximas, ele chegou a ter melhora, mas não resistiu e faleceu de complicações da Covid. Raposão foi a 28ª vítima fatal por Coronavírus em Bragança Paulista.

Raposão era colunista do Bragança-Jornal há muitos anos. Era uma pessoa espirituosa, que celebrava a vida e possuía um senso crítico apurado. Em sua coluna semanal, ele fazia cobranças e reproduzia temas polêmicos com sátira, que lhe era peculiar.

João Raposo foi presidente do Clube de Campo e adorava jogar tênis, sendo inclusive professor dessa modalidade esportiva. Num determinado ano, ele disputava a final de campeonato de tênis no Clube, e desceu no campo de futebol, ao lado da quadra, de helicóptero, surpreendendo a todos os que esperavam. No futebol, era torcedor do São Paulo Futebol Clube.

No início da quarentena, em março, Raposão participou da carreata pedindo a abertura do comércio, pois relatava a preocupação que a falta de emprego podia trazer graves problemas às famílias.

João Raposo deixou a esposa Fabiana e a filha Larissa. Em 2018, ele perdeu o filho Lucas.

Nesta edição, o Bragança-Jornal homenageia Raposão e reproduz um tópico publicado em sua coluna no dia 30 de junho de 2020, quando falou sobre a passagem de seu aniversário.

RAPOSÃO E SEUS 55 ANOS

Raposão se lembra como se fosse hoje, quando tinha apenas uns 8 anos e, de mãos dadas com minha mãe (a saudosa Dona Clarisse), ouvi uma conversa entre ela e uma pessoa que dizia ter “30 anos”. Estou “falando” provavelmente do ano de 1973.

Naquela época, no auge da minha infância e com apenas 8 anos, eu olhava para a aquela pessoa e pensava: nossa, que pessoa velha! Não quero chegar nessa idade não! Ficar tão velho assim eu não quero! Enfim, era este o meu pensamento, então um pequeno menino.

Passado todo esse tempo, acho incrível como certas coisas a nossa mente guarda e consigo lembrar como se fosse hoje. E esta foi uma passagem da minha vida que, não sei por que motivo, meu cérebro guardou. Note que eu, naquela época uma criança, estava me referindo como “velha” uma pessoa de apenas 30 anos.

Como se vê, a referência de velhice depende da idade da pessoa que analisa. Para Raposão, naquela idade, com apenas 8 anos, talvez até uma pessoa de 15 anos seria considerada “velha”, quanto mais aquela de 30 anos, que devo ter considerado “velhíssima!”.

Pois bem, na semana passada, mais precisamente no último dia 24.06.20, cheguei aos meus 55 anos de vida, e é óbvio que já descobri, faz tempo, que jovem é aquele que pensa jovem, que vive jovem. A idade, sem dúvida nenhuma, está na mente da pessoa, pois nosso físico nem sempre representa nossa idade mental. Desta forma, conheço pessoas jovens que pensam como velhos e conheço pessoas velhas que pensam como jovens. É assim que “funciona” a vida.

E aquela pessoa de 30 anos que vi quando eu tinha 8 anos e achei velha, por onde será que anda? Ora, se ela estiver viva, hoje terá cerca de 77 anos e Raposão só pode desejar a ela, tanto quanto desejo a mim, que, lembrando, fiz 55 “primaveras” na semana passada, que ela tenha vivido e que continue a viver de maneira jovem, leve, descontraída, afinal é assim que a vida deve ser encarada! Além do mais, se tem uma coisa que também sempre pensei, é o seguinte: “de que adianta levar a vida tão a sério se não sairemos vivos dela?”.

Hoje, 30.06.20, já é o sétimo dia dos meus 55 anos…e que venham quantos mais o Pai criador permitir! Aproveito para agradecer aqui as inúmeras mensagens de felicitações que recebi!

E dias melhores hão de vir!

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