Editorial

Farra com o dinheiro público

publicado em 4 de setembro de 2019 - Por BJD

Está nas mãos da Câmara um projeto que visa extinguir o pagamento de vale-alimentação para aposentados e pensionistas e de “14º salário” para servidores do Legislativo.

Considerando que a população brasileira no geral padece para ganhar, quando muito, um salário mínimo, o projeto se torna consciente e bastante plausível, visto que o dinheiro público se tornou uma farra dentro dos órgãos públicos do país. Em Bragança Paulista, há servidores inativos e pensionistas que recebem de R$ 10 mil a mais de R$ 20 mil de salários.

Tudo isso está disponível no site da Câmara (camarabp.sp.gov.br), no link Transparência/Estrutura Remuneratória, aberto para quem quiser conferir. Como podem aposentados e pensionistas da Câmara receberem R$ 700,00 de vale-alimentação? Quando que um aposentado comum nesse país, que ganha R$ 998,00 recebe vale-alimentação e auxílio-saúde?

É óbvio que o clima na Câmara não está dos melhores e também não se discute o merecimento dos funcionários em relação ao 14º salário. Mas se trata de dinheiro público! Tal proposta é uma questão moral. Enquanto um grupo seleto recebe, com todo o mérito conquistado, salários dignos, o país tem mais de 12 milhões de desempregados. Se a Câmara fosse uma empresa privada, seus diretores pagariam tantos benefícios aos seus funcionários, aposentados e pensionistas? O dinheiro público deveria ser tratado como cada cidadão faz com o salário suado do mês na sua casa, ou como cada empresário faz para manter seu comércio com as portas abertas.