Editorial

Estilo e ritmo decisivos para o presente e o futuro

publicado em 17 de agosto de 2019 - Por BJD

Bragança ocupou lugar de destaque na região durante a virada do século XIX para o XX. São dessa época o Teatro Carlos Gomes, a Estrada de Ferro Bragantina e, de forma pioneira no âmbito nacional, a implantação da telefonia.

A atual reforma do prédio que abrigou o teatro, a restauração da estação do Guaripocaba e a aquisição do prédio do Museu do Telefone pela municipalidade não são mera coincidência. Sinalizam o respeito ao passado no que ele tem de dinamismo para o presente e o futuro.

Em geral, políticos gostam de obras vistosas, mesmo quando estas não são socialmente relevantes. Os bragantinos estão acompanhando algumas obras de infraestrutura de combate a enchentes. É o caso de alguns ‘piscinões’. Um foi concluído recentemente, no Jardim Santa Helena, e já produz efeitos.

Também na região sul, está em andamento, pela empresa Jofege, uma obra importante para conter o assoreamento do Lago do Taboão. Uma caixa de contenção encontra-se totalmente enterrada na Praça São Francisco. Quem não viu a obra não sabe que ali está enterrado esse mecanismo de combate ao assoreamento do cartão postal da cidade.

Nas duas últimas semanas, rapidamente foi realizado recapeamento de avenidas ao redor do Lago do Taboão. Chamou muito a atenção a espessura da camada de asfalto. Mais ainda, o fato de ter sido realizado com equipamentos e pessoal próprio da Prefeitura, adquiridos recentemente depois da obtenção de empréstimos com longos prazos para pagamento. A nova sinalização de solo também ficou pronta imediatamente.

O Bragança-Jornal repercutiu aqui nesta semana a verba destinada para a alimentação escolar, mediada pelo deputado estadual Edmir Chedid, assim como tem veiculado de forma constante os investimentos realizados em prédios e em pessoal da área educacional. Certamente, futuro promissor, mais do que nunca, depende de novas gerações bem educadas, aptas para as novas formas de trabalho e agentes de desenvolvimento econômico, social e cultural.

No entanto, algumas realizações não seguem o mesmo ritmo. A população continua aguardando mais evidências da Secretaria de Mobilidade Urbana. É uma Secretaria nova, que despertou grande expectativa, mas que não está conseguindo surpreender na velocidade típica dos veículos atuais. Não se observam soluções estruturais, nem sacadas geniais. Por exemplo, um pequeno detalhe da sinalização de solo pode trazer grandes resultados para a fluência do trânsito, como a faixa da direita sem parar da Praça São Francisco. Agora é possível se dirigir para a Variante sem “entrar” no fluxo da rotatória.

Da mesma forma, as idas e vindas da zona azul, a longa indefinição de reimplantação do sistema de radares, os constantes adiamentos e/ou cancelamentos de licitações e os resultados tímidos de algumas secretarias municipais são incompatíveis com o ritmo do prefeito Jesus Chedid e com as exigências do presente e as necessidades do futuro da população.

Em termos de estilo de atuação e de ritmo, a maioria dos vereadores também está deixando a desejar. Cuidam de miudezas, não sinalizam com clareza o futuro que projetam para Bragança e, com poucas exceções, não atraem para o município a ajuda de deputados estaduais e federais de seus partidos.

Inovação e ação são necessidades constantes para manter patamares já adquiridos, sobretudo para manter lugar de destaque no cenário regional e estadual. A história de Bragança Paulista, as necessidades do presente e os desafios do futuro requerem comprometimento, visão aberta e realizações.