Editorial

Editorial: Só por Deus!

publicado em 15 de maio de 2020 - Por BJD

Filhos, empregados e eleitores gostam de ter autonomia em suas ações. No entanto, quando algo não vai bem, logo procuram autoridades, superiores e, principalmente, pai e mãe.

Quando as coisas correm dentro de alguma normalidade, costumamos confiar demasiadamente em nossas forças individuais. Na doença e em todo tipo de crise, logo recorremos a Deus, por meio da oração. É a última instância, daí a expressão “Só por Deus!”.

A pandemia de Covid-19 está impactando fortemente grande parte dos brasileiros que perderam empregos, que tiveram que paralisar sua atividade econômica, que estão sem a possibilidade de sair de casa, que estão tensos na medida em que não conseguem vislumbrar como será a retomada, sem falar em milhares de famílias que têm membros internados em estado grave ou já perderam entes queridos.

Num quadro tão grave como esse, é normal que indivíduos recorram a quem lhes possa proteger, é normal que eleitores olhem para as autoridades constituídas na busca de orientação e, principalmente, de ações eficientes e eficazes.

Quando olhamos para muitos outros países que neste momento enfrentam o mesmo problema, observamos que não obstante algumas particularidades locais, existe concordância e, inclusive, sintonia num conjunto bastante amplo de ações. Observamos, sobretudo, que existe em comum, entre governos e autoridades de saúde, senso de urgência e ações calcadas em estudos científicos de combate a pandemias anteriores e em pesquisas atuais sobre esse novo coronavírus. Isso oferece alguma perspectiva aos cidadãos. Permite tomar decisões pessoais, familiares, empresariais e, muito especialmente, na área da saúde.

Para espanto geral, no Brasil, onde os números da pandemia só fazem crescer, há um desalinhamento muito forte entre o presidente da República e o seu ministro da Saúde.

Neste sexta-feira, 15, sem ter completado um mês de exercício, Nelson Teich pediu demissão. O mesmo desalinhamento se dá entre o governo federal, governos estaduais e, consequentemente, prefeitos de cidades brasileiras de norte a sul, pequenas, médias e grandes.

Crises requerem sempre concentração, diálogo, ações acertadas e sinergia. Nessas horas, não se pode desperdiçar energia. É grande a responsabilidade daqueles que ocupam postos de liderança e de autoridade. Não é tempo de fazer política eleitoreira. Todos os brasileiros esperam, com todo o direito, atenção, respeito, orientação e ações em benefício da saúde, da vida e da retomada econômica. Que Deus nos ilumine nesta empreitada que é de todos!