Editorial

Editorial: Por etapas

publicado em 8 de maio de 2020 - Por BJD

Na última terça-feira, 5 de maio, Bragança Paulista registrou o menor índice de isolamento social desde o início das medidas preventivas de combate ao novo coronavírus em 21 de março – o percentual foi de 44%.

A baixa adesão ao isolamento é perceptível. Mais de 50% da população está circulando nas ruas de acordo com o levantamento do Sistema de Monitoramento Inteligente (SIMI-SP) do Governo de São Paulo, que analisa os dados de telefonia móvel para indicar tendências de deslocamento e apontar a eficácia das medidas de isolamento social.

No final de março, quando a Prefeitura editou o primeiro decreto, antes mesmo do Governo do Estado impor o isolamento social, o índice era superior aos 50%, mas com o passar do tempo, a população foi relaxando. Mas isso pode ter uma explicação, a dubiedade de posicionamentos de autoridades, que não têm linguagem única – de um lado o presidente Jair Bolsonaro defende a volta à normalidade, e de outro o governador João Doria, que se agarrou aos especialistas na área da saúde e à ciência – isso confundiu a cabeça de muitas pessoas.

Todos os dias se vêem muita gente circulando nas ruas. Um fator que contribuiu para o deslocamento das pessoas foi o auxílio emergencial do Governo Federal, que levou milhares de pessoas às portas dos bancos.

Mesmo com o isolamento abaixo do esperado, a Prefeitura fez esforços, como fiscalizações diárias e orientações, e até fechando vários estabelecimentos que descumpriram os decretos estadual e municipal de isolamento, pois sabia que numa eventual flexibilização da economia por parte do Governo do Estado, esse índice não seria o único a ser visto, mas também a ocupação de leitos de UTI e enfermaria e a taxa de transmissibilidade do vírus.

Entre outras medidas, a Prefeitura implantou um Hospital de Campanha, contratou laboratório particular para a realização de exames de forma mais rápida, higienizou ruas, praças e locais de grande concentração, impôs o uso de máscaras antes mesmo do decreto do estadual, entre outros, conforme ofício enviado na quinta-feira, 7, pelo prefeito Jesus Chedid ao governador João Doria, mostrando a eficiência das ações da Administração, que seguiram orientações do Ministério Público, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Sem dúvida, essas ações contribuiriam para que a partir da próxima semana, Bragança fosse incluída na flexibilização das atividades comerciais. Mas não foi o que ocorreu. O Governo ampliou a quarentena até o final do mês em todo o Estado devido à evolução dos casos, principalmente no interior e litoral.

Cada um deve fazer a sua parte e proteger principalmente os idosos e pessoas com comorbidades. As medidas de higiene, distanciamento social e uso de máscaras perdurarão por muito tempo. Todos nós estamos aprendendo a lidar com esse vírus desconhecido.

O Dia das Mães será diferente neste domingo para muitas famílias, mas é uma das batalhas que temos que encarar para vencer essa guerra.