Editorial

Editorial: Páscoa: celebração da vida em tempos difíceis

publicado em 9 de abril de 2020 - Por BJD

Historicamente, a celebração da Páscoa vem de longe. Lá no século XVI antes de Cristo, quando o povo judeu vivia a escravidão no Egito, Deus convoca Moisés para orientar o povo para uma ceia, com um cordeiro assado, cujo sangue deveria sinalizar as portas, de forma que o primogênito de cada família fosse preservado.

Devia ser uma refeição familiar rápida, as pessoas deviam estar preparadas para a longa caminhada que levaria à terra prometida: “E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão … Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor” (Êxodo, 12).

Daí nasceu a Páscoa dos Judeus, da qual o próprio Jesus compartilhou durante sua vida terrena, dando-lhe novo significado a partir de sua morte e ressurreição. A sua última ceia foi celebrada apenas com o pequeno grupo dos apóstolos. Na mesma noite retirou-se para o Monte das Oliveiras, onde orou, apresentando ao Pai toda a agonia diante da eminente traição de Judas, prisão, condenação e morte de Cruz.

Há vinte séculos, a Páscoa é uma festa cristã e familiar. Cada cultura ou cada país insere alguma característica específica à celebração, mas sempre é uma festa esperada, que reúne todos os familiares possíveis, que assinala a passagem de momentos obscuros para iluminados, de situação de opressão para a libertação, de morte para a vida.

Por ser uma data ligada à ideia de renovação da natureza e de vida nova, a celebração da Páscoa é fundamentada na comida: bacalhau, cordeiro, outros assados, ovos de chocolate, coelhos, colomba … Apontam para a renovação, a abundância, o sabor, a convivência e o multicolorido da vida.

Em 2020, nós brasileiros, e muitos irmãos nossos mundo afora, nos encontramos diante de uma celebração diferente, mas não menor em significado e, quem sabe, mais íntima e profunda. Avós não verão filhos, netos e agregados numa mesma mesa, conforme o costume da família. Crianças não correrão afoitas à casa dos avós para receber mais um ovo de Páscoa. Estaremos todos recolhidos.

Certamente, mais unidos do que nunca, na esperança de novos dias de saúde, convivência e alegria que estão por chegar. Paradoxalmente, inclusive aqueles que proíbem smartphone à mesa, desta feita, recorrerão às novas tecnologias para ver os seus, desejando-lhes com enorme emoção: “ Feliz Páscoa”. É o que desejamos a cada um dos nossos patrocinadores, assinantes, colaboradores e leitores. Um novo tempo caminha ao nosso encontro. A Páscoa nos ensina que a explosão colorida da primavera sempre sucede ao recolhimento cinzento típico do inverno.