Editorial

Editorial – Pai: herói, vilão, amigo ou saudade

publicado em 7 de agosto de 2020 - Por BJD

Pai, em tempos bons ou em tempos difíceis como os atuais, é sempre uma referência importante. Ao defrontar-se com alguma dificuldade própria ou do filho, se desdobra, dá o melhor de si, poupa o descendente de preocupações, tudo faz para que tudo volte imediatamente ao normal.

O mais pessimista dos pais não imaginou este 9 de agosto tão difícil como ainda se apresenta a todos nós. Em 2020, pais partiram repentinamente depois de serem acometidos pela Covid; pais que atuam na área da saúde foram obrigados a se distanciar um pouco dos próprios filhos; numa total inversão da lógica natural, pais viram a partida prematura de filho; pais perderam empregos; pais viram negócios próprios construídos ao longo de décadas se aproximarem da falência; pais precisaram isolar-se inclusive de filhos para se protegerem de riscos de contágio; pais não conseguirão reunir todos os filhos no almoço deste domingo. Apesar de todas essas ocorrências, a maioria dos pais continua sendo a referência, a segurança e a orientação sempre almejada pelos filhos.

Curiosamente, conforme pensamento de Luis Alves, colaborador do site Esoterikha, ao longo da vida, a percepção do filho diante do pai se alterna em quatro fases: “Pai que aos olhos da criança é herói; pai que aos olhos do jovem é vilão; pais que aos olhos do adulto é um amigo; pai que aos olhos do velho é saudade”.

Durante os últimos meses, ao ficarem todos em casa, muitos pais acentuaram sua dimensão de herói ao terem mais tempo para seus filhos, inclusive para brincar. Muitos adolescentes e jovens acharam que os cuidados do pai diante da pandemia eram exagerados, restringindo-lhes, desnecessariamente, a liberdade de ir e vir e de participar de aglomerações. Muitos filhos adultos se aproximaram ainda mais dos pais, utilizando-se dos meios disponíveis e seguros em tempos de pandemia, conversaram mais, estreitaram ainda mais os laços familiares.

Tristemente, não poucos pais e não poucos filhos viverão neste domingo mais um dia de luto, dor e saudade. Então, a figura paterna deixa de ser herói, vilão, amigo ou saudade, para ser, ainda conforme Luis Alves, soma de tudo aquilo que foi, de tudo aquilo que o filho pensou que fosse, para ser a síntese e o sentido da vida que hoje o filho vive.

A exemplo da recente Páscoa e do último dia das mães, este será um dia dos pais inesquecível, vivido com mais simplicidade e maior profundidade. A cada um dos pais, nosso carinho, admiração e respeito. Feliz Dia dos Pais!

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