Editorial

Editorial: Comando, liderança, ação e controle

publicado em 5 de julho de 2019 - Por BJD

Nesta semana, a redação do Bragança-Jornal recebeu a seguinte mensagem de um leitor sobre a zona azul digital: “Gostaríamos que os encarregados da zona azul de Bragança Paulista tomassem conhecimento dos problemas que essa nova forma de cobrança virtual está causando para a população, principalmente para os motoristas mais idosos.

Entre essas dificuldades estão: ser obrigado a ter telefone celular com internet e saber usar o aplicativo que muitas pessoas mais idosas têm dificuldade; ter cartão de crédito para fazer o pagamento ou ter tempo de ir atrás de banco para pagar o boleto; localizar o encarregado da venda do estacionamento virtual, pois eles ficam andando e às vezes não temos tempo de sair procurando e a quantidade de multas por esse motivo é enorme. O talão era encontrado para venda no comércio e por isso dificilmente dava problema. A população pede que volte o sistema antigo ou pelo menos permaneça a permissão do uso dos bloquinhos de papel para estacionar e à venda no comércio local”.

Leitores e assinantes do Bragança-Jornal repercutiram nesta semana, o editorial “Chacoalhada”, publicado na edição de 29 de junho. O vereador Marcus Valle também comenta sobre o editorial em sua coluna nesta edição. Nos contatos com a redação, predominou a sensação de que o estilo Jesus Chedid de governar não está aparecendo em vários setores da municipalidade. Também houve comentários quanto à falta de sintonia e de sincronia nas ações de diferentes Secretarias Municipais. Há disparidades entre secretários e, em alguns casos, aparentemente destes com o próprio prefeito.

Governança é hoje em dia um tema muito estudado em ambientes de governos, empresas e instituições. Ela depende de um tripé: comando, liderança e equipe. Historicamente, nos mandados de Jesus Chedid, comando e liderança sempre estiveram presentes. No quesito liderança, ele é auxiliado constantemente por seu filho e deputado estadual, Edmir Chedid. O estranhamento dos leitores reside mais na atual constituição e atuação de sua equipe. Faltam desenvoltura a alguns e entrosamento entre outros, que necessariamente precisam atuar de forma mais cooperada.

A função de secretário municipal é complexa. De um lado precisa estar muito próximo do prefeito municipal e dar continuidade às suas iniciativas, ações e contatos. Mas secretário não é prefeito. Não pode agir unilateralmente, depende das orientações advindas do mandatário e deve agir, sempre que possível, em consonância com aquele que o nomeia e o mantém no cargo. Em suma, deve estar vinculado, de maneira efetiva, aos projetos e expectativas do chefe do Executivo.

Um exemplo foi a criação da Secretaria de Mobilidade Urbana, uma novidade interessante deste mandato. Surpreendeu a muitos. O primeiro secretário parecia estar executando algo novo, estrutural e promissor. Depois da sua saída, a cidade já está com o quarto secretário municipal de Mobilidade, dois deles atuando de forma interina e acumulando ainda mais funções.

A bem da verdade, o recém-empossado secretário de Mobilidade Urbana, Rogério Alves dos Santos, pegou o ‘bonde andando’, e um dos ‘imbróglios’ a serem resolvidos é a Zona Azul Digital, que dentre tantos problemas está o citado por um leitor no início deste editorial.

É fato que o talonário deixará de existir, migrando definitivamente a zona azul para o sistema virtual, mas a Administração precisa agir para que os pontos de vendas (PDV’s), ou seja, os pontos comerciais, ofertem a Zona Azul Digital, que não alcançou sucesso porque a Prefeitura queria que os comerciantes aderissem sem qualquer retorno financeiro. Mas qual a melhor solução para dar o retorno financeiro aos comerciantes e ao mesmo tempo para o contribuinte/eleitor?

Atualmente a zona azul digital custa R$ 2,00. A empresa credenciada, via chamamento público feito pela Prefeitura, a Transitabile, recebe 10% desse valor (0,20 por bilhete vendido). Ou seja, hoje a Prefeitura arrecada R$ 1,80 por bilhete vendido. Outras empresas também foram credenciadas, mas nenhuma delas achou atrativa a proposta. Aliás, com esse formato de licitação proposto, a própria Transitalibe, a qualquer momento, pode deixar o trabalho em Bragança Paulista.

Uma das eventuais soluções seria elevar o valor da zona azul, uma atitude que estaria dentro da legalidade, porém seria um ônus para o contribuinte, mesmo que fossem centavos a mais, e sem dúvida, um ônus maior ainda para o prefeito Jesus Chedid, faltando pouco mais de um ano para a eleição municipal.

A Prefeitura, como ente público, não visa lucro e por essa razão, uma saída prudente e inteligente seria abdicar do total de ganho (R$ 1,80) e repassar um percentual desse valor (por exemplo, 0,50) ao comerciante que aderir ao PDV. A Prefeitura ainda ganharia R$ 1,30 nessa hipotética conta. Um princípio básico de razoabilidade. Agora é aguardar a decisão do Executivo.

Já são decorridos cinco semestres de mandato, restam três. Está chegando a hora do sprint (arrancada). Não estamos numa corrida individual. Todos os membros da equipe precisam se unir, dar o melhor de si, aumentar a velocidade, entregar tudo o que foi prometido e realizar os anseios dos eleitores. Continuamos acreditando que isso é possível, uma vez que as finanças desta Administração estão controladas, num trabalho da Secretaria Municipal de Finanças, com o acompanhamento diário do prefeito Jesus Chedid, e que merece aplausos.

Isso permitiu que equipamentos adequados fossem adquiridos e projetos importantíssimos viabilizados, mas a ‘chacoalhada’ já citada para fazer frente à reta final deste mandato, é uma providência esperada para alcançar maior eficiência operacional e intensificar a eficácia política da Administração.