Editorial

Copo meio cheio, copo meio vazio

publicado em 17 de julho de 2018 - Por BJD

Diante de um mesmo copo com algum líquido mais ou menos pela sua metade, são comuns duas percepções diferentes. Alguns olham e dizem que o copo está meio cheio. Outros observam e afirmam que o mesmo está meio vazio. Diante deste ano de 2018, cuja metade já transcorreu, a percepção também é ambígua. A maioria concorda que o tempo está passando muito rapidamente. Muitos avaliam que está sendo um ano pouco produtivo.

Contribui para essa sensação confusa a quantidade de feriados prolongados vividos durante o primeiro semestre: ano novo, carnaval, Páscoa, 1º de maio, Corpus Christi e 9 de julho. No caso de Bragança Paulista, também teve forte impacto sobre a produção e principalmente sobre o comércio, a realização da festa do peão no Posto de Monta.

Mais recentemente, a copa do mundo de futebol também interferiu na produção, na prestação de serviços e no comércio. Alguns preferiam não parar, muitos avaliaram que a interrupção para acompanhar os jogos podia ser menor. Com a eliminação precoce do Brasil, a sensação de perda de tempo tornou-se ainda maior. Excepcionalmente, a greve dos caminhoneiros causou forte impacto sobre o dia a dia, tanto para a dimensão do trabalho e da produção, como para a dimensão do consumo e do lazer.

O que está em jogo na verdade é o equilíbrio entre o tempo produtivo e o tempo ocioso. Este também necessário para o descanso, para viagens, para o lazer e para a convivência de familiares e amigos. Ocorre que em épocas de dificuldades econômicas generalizadas, a única saída encontra-se no aumento da produtividade.

Numa sociedade de consumo como a atual, o tempo de lazer contribui bastante para setores como o de shoppings, restaurantes, viagens, combustíveis, pedágios, bebidas, etc. Muitas cidades com economia baseada em turismo esperam ansiosamente por essas datas. Mas o comércio tradicional de roupas, calçados, material de construção, ferramentas, equipamentos e toda uma gama de prestação de serviços e assistência técnica, encontram dificuldades em equilibrar suas contas em meses com excesso de feriados.

Pedreiros, carpinteiros, jardineiros, pintores, mecânicos e toda uma série de prestadores de serviços autônomos sofrem antes, durante e depois dos feriados. Serviços já combinados são adiados por causa dos feriados, tratativas de novos serviços também ficam para depois.

Como a maioria destes profissionais recebe diárias por dias trabalhados ou é remunerada por empreitadas ou serviços concluídos, a renda despenca. Conclusão: para assalariados com registro em carteira e direitos trabalhistas assegurados por lei, feriado prolongado é um sonho de consumo que se realiza. Para profissionais autônomos, pequenas empresas de prestação de serviços e para comerciantes tradicionais, a prolongação de folgas generalizadas é um pesadelo.

Quando olhamos para a metade do copo que ainda está vazio, a situação de 2018 continua preocupante. Praticamente todos os feriados restantes são prolongáveis: Independência do Brasil, Nossa Senhora Aparecida, Finados, Proclamação da República, Consciência Negra e Natal. Também expressivo é o impacto das eleições gerais previstas para outubro. As mesmas, mais do que nunca, estão exigindo especial atenção de todos os eleitores. Não poderão ser encaradas como um episódio passageiro.

Temos extrema necessidade de acertar, para que o Brasil se torne mais produtivo, mais competitivo, gerando condições de trabalho, renda, segurança, saúde e harmonia para todos os brasileiros. Temos muito trabalho pela frente para salvar o ano corrente e para descortinar novos horizontes para os brasileiros de todas as idades e de todas as condições sociais.