Cotidiano

Reserva da Biosfera, Sítios do Patrimônio Histórico e Geoparques: formas de preservar e gerar renda

publicado em 31 de julho de 2018 - Por Ambiente em Pauta

A diferenciação de uso do solo para determinadas atividades de preservação podem ser uma ferramenta de empoderamento das comunidades locais, associadas à geração de renda e preservação. As estratégias de reconhecer áreas com esses potenciais tem sido, em escala global, orientada pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura).

O reconhecimento destes sítios se faz a partir da titulação de áreas geográficas que possuam de forma singular características que demonstrem em escala global a relevância dos aspectos históricos, naturais, paisagísticos e ecológicos.

No caso da reserva da Biosfera, é privilegiado o uso dos recursos naturais com finalidade de promover o conhecimento, a prática e implementação de valoração de populações e ambiente. Em julho de 1994 a UNESCO concedeu o título de Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da Cidade de São Paulo, que abrange 73 municípios e busca dar visibilidade e proteção para os remanescentes ainda existentes dos biomas de Cerrado e Mata Atlântica, sendo Bragança Paulista integrante.

No caso do status de Patrimônio mundial, também concedido pela UNESCO, temos diversas categorias de patrimônio, entre elas o patrimônio cultural, patrimônio imaterial e natural. No Brasil é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) que desempenha relevante papel na gestão de preservação do patrimônio cultural brasileiro. Cabe a esse instituto identificar, preservar, revitalizar, restaurar e divulgar os bens culturais do Brasil.

A partir de parcerias com ONGs (organizações não governamentais), associações e fundações, o IPHAN mantém mais de 20 mil edifícios, 83 centros históricos e cadastros de mais de 12 000 sítios arqueológicos, milhões de obras entre objetos e volumes bibliográficos catalogados, protegidos, tombados (o tombamento significa um ato administrativo, que associado à força de lei, preserva determinado patrimônio).

No contexto de diretrizes da UNESCO, os Geoparques são as iniciativas mais recentes para preservação, com foco no patrimônio geológico. Entre seus objetivos estão: preservar esses sítios para futuras gerações, educar o grande público para questões ambientais e promover pesquisas científicas, assegurar desenvolvimento sustentável a partir de atividades de geoturismo, geração de renda para comunidades locais, atração de investimentos.

Na realidade, não só os geoparques possuem o potencial de geração de renda, também as ações relativas à preservação de patrimônio cultural e ecológico apresentam esse potencial. Se por um lado estamos falando de oficialização de preservação em escala global e nacional, é relevante destacarmos que Bragança Paulista possui patrimônios culturais, monumentos naturais, como a Pedra do Leite Sol, parques municipais, cortejos, romarias, artesanatos, entre outros atributos altamente interessantes do ponto de vista da preservação cultural e potencial geração de renda.

Para considerarmos nossos patrimônios como notáveis, precisamos construir uma compreensão de que estamos inseridos num contexto histórico e cultural, de formação do território, de características naturais muito diferentes das encontradas em outras regiões do país e do mundo.

É preciso educar nossos olhares para ver as paisagens cotidianas pela sua singularidade e riqueza. É isso que fazemos quando visitamos outros lugares e é isso que devemos fazer ao (re)conhecer nossas cidades e seus patrimônios.

Se você quer saber mais sobre formas de preservação em Bragança, aqui ficam algumas dicas: Mapa on line de Patrimônios Tombados em Bragança Paulista (https://www.arcgis.com/home/webmap/viewer.html?webmap=5e66e824bcbb49f68b7183ea42d22b6a), CDAPH/USF (http://www.usf.edu.br/institucional/3/acervo+historico.htm).

Patrícia Martinelli, Geógrafa, colaboradora do Coletivo Socioambiental e Associação Bragança Mais