Cotidiano

Projeto Lyra Bragança completa dez anos e celebra transformações culturais e sociais

publicado em 27 de dezembro de 2019 - Por BJD
O Projeto Lyra Bragança desperta o desenvolvimento mental, intelectual, a criatividade e a concentração por meio da música (Foto: Divulgação)

Por meio da música, programa muda a vida de crianças e adolescentes de bairros periféricos

Somar educação e cultura tem como resultado uma poderosa ferramenta de inclusão social e esperança de um futuro digno. Um “instrumento” que, no caso do Projeto Lyra Bragança, é literal a crianças e adolescentes oriundos das periferias de Bragança Paulista. Em 2019, o programa fundado pela pianista Káthia Bonna, pelo trompista e maestro Marcus Bonna e pelo mestre em ordem unida Luís Custódio, o Babalu, comemora dez anos de concertos musicais, prêmios, apresentações memoráveis e, principalmente, de seu poder transformador.

O projeto começou tímido, focado em ensinar música para os filhos dos funcionários da MB Cases, empresa que fabrica bolsas para instrumentos musicais, também fundada por Marcus e Káthia. Depois, expandiu-se para os jovens das ruas ao redor do prédio. Em seguida, para o bairro onde se encontra, região do Jardim da Fraternidade e Jardim Morumbi. Hoje, abraça todas as regiões periféricas de Bragança e abriga mais de 200 alunos divididos em três projetos: a Orquestra de Metais Lyra Bragança, a Fanfarra Alegretti (Escola Estadual Professor Luiz Roberto Pinheiro Alegretti) e a Fanfarra Ecoa (Espaço de Convivência e Aprendizado).

As crianças e adolescentes aprendem tudo sobre o universo das bandas marciais, ou seja, grupos que além de tocar instrumentos de percussão e metais, incorporam movimentos corporais à apresentação, geralmente algum tipo de marcha, além de coreografia em certas músicas. Dentre as matérias aprendidas estão: iniciação musical, canto coral, expressão corporal, linguagem musical, solfejo, percepção e apreciação musical, música de câmara e, claro, instrumentos musicais como trombone, trompete, tuba, trompa e percussão. Os alunos ainda ganham uniformes, lanches, instrumentos musicais e transporte.

FUTUROS MÚSICOS

Toda a parte teórica, aliada à prática, desperta no aluno a sensibilidade musical necessária para ser um grande músico, um dos objetivos do programa. Foi o caso do Gustavo Henrique Moraes, de 18 anos, que nunca havia tido contato com a música clássica, apenas com ritmos mais comuns do seu cotidiano. Agora, tem ouvido muito mais aguçado. “Hoje, quando assisto a algum filme, por exemplo, presto atenção também na trilha sonora, coisa que nunca fazia antes de entrar aqui e aprender a tocar trompete”, conta Gustavo.

Mais do que isso, o Projeto Lyra também desperta o desenvolvimento mental, intelectual, a criatividade e a concentração por meio da música. E, o mais importante, a chance de um futuro melhor. O próprio Gustavo, atualmente, é um dos vestibulandos de Música na Unicamp, uma das melhores e mais concorridas universidades do país. Ele e mais três adolescentes do programa estudam juntos para entrar na faculdade.

“Vários alunos do Alegretti foram premiados em Olimpíadas de Matemática, Ciências, entre outras. Em uma oportunidade, quando a diretora foi tirar foto dos premiados, percebeu que todos usavam a camiseta da Fanfarra. Isto não é coincidência! É cientificamente comprovado que a música aumenta o número de conexões cerebrais”, comenta Marcus Bonna.

ALÉM DA MÚSICA

A garra para aprender instrumentos também reflete em outros objetivos. Sandro Camargo, 28 anos, por exemplo, foi um dos primeiros alunos da Lyra e hoje é engenheiro formado e Gerente de Produção em uma empresa. “Aqui eles te incentivam a não se conformar com a situação na qual você vive. Independente de seguir na carreira musical ou não, eles ensinam valores que podem formar médicos, enfermeiros, engenheiros”, diz Sandro.

Para falar do papel social, Káthia Bonna cita Pitágoras: “Eduque o menino e não será preciso castigar os homens”. Por meio da música, a Lyra transforma diariamente as vidas dos jovens que vivem em situação de risco, tirando-os do ócio e oferecendo discernimento e oportunidade de um futuro melhor.

O jovem Tiago Lattanzi, por exemplo, um dos primeiros alunos do Projeto, hoje é o primeiro trompetista da Lyra Bragança e atual maestro da Fanfarra Alegretti. Ele é responsável por iniciar os alunos na música, tanto na Escola Alegretti quanto no Ecoa. Com isso, o Projeto Lyra Bragança está formando profissionais capacitados não só para tocarem em orquestras ou grupos musicais, mas também músicos de qualidade, empenhados na formação de outros colegas, multiplicando, assim, a essência do projeto em outras escolas ou regiões.

CONTATO COM ÍDOLOS E ENRIQUECIMENTO CULTURAL

Aprender com profissionais reconhecidos no Brasil e no mundo é outro presente aos jovens bragantinos. Músicos renomados da Orquestra Filarmônica de Munique, Bamberg Symphony Orquestra, Berlin Filarmônica, Boston Symphony e outras já estiveram em Bragança Paulista para palestras e oficinas aos jovens do projeto.

Expandindo as perspectivas de crianças e adolescentes, o Projeto Lyra Bragança contribui enriquecendo a cultura da cidade e com proveitos sociais. Mais do que música, ensinam cidadania e a viverem de maneira digna, ainda que as circunstâncias sejam difíceis. Os ensaios da Orquestra de Metais são realizados nas noites de quarta e no sábado durante todo o dia. Os da Fanfarra Alegretti são de segunda a sexta. Já os do ECOA são às quintas e sextas.
Anualmente, o custo do Projeto Lyra Bragança é estimado em mais de R$ 200 mil e conta com o apoio de empresas da cidade para se manter.

A lista de prêmios nestes dez anos é grande: heptacampeã do Concurso de Fanfarras e Bandas de Caieiras – 2011, 2012, 2014, 2015, 2016, 2017 e 2018 (Cofaban); campeã do Concurso de Bandas e Fanfarras de Francisco Morato 2014 (Confaframo); bicampeã Estadual em Nazaré Paulista (2015 e 2016); e campeã do Concurso de Bandas e Fanfarras de Guarujá (2019). “Mais do que ganhar campeonatos, o principal objetivo é integrar o jovem por meio da música e do desenvolvimento sociocultural”, finalizou Babalu.