Cotidiano

Problemas com o transporte público são debatidos na Câmara Municipal

publicado em 27 de fevereiro de 2021 - Por BJD
Reunião extraordinária da Comissão de Finanças teve participação de vereadores, representantes da concessionária JTP Transportes e secretário de Mobilidade Urbana (DCI)

Na manhã do dia 22 de fevereiro, a Comissão de Finanças, Orçamento, Obras, Serviços Públicos e Desenvolvimento Urbano da Câmara Municipal realizou sessão extraordinária para tratar do transporte público municipal.

Estivera presentes o secretário de Mobilidade Urbana, Rogério Crantschaninov, e o presidente e gerente administrativo da concessionária da JTP Transportes, Paulo Henrique Wagner e André Ferreira, respectivamente, além dos vereadores da Comissão de Finanças.

Após ouvir considerações da presidente da comissão, Fabiana Alessandri, sobre os problemas enfrentados pelos usuários do transporte coletivo, o secretário Rogério Crantschaninov apresentou dados técnicos sobre o atual cenário no município. Ele destacou que o edital do transporte público, feito em 2018, previa frota de 87 veículos, para transportar 700 mil passageiros/mês, 29 linhas urbanas, 11 linhas rurais, duas linhas circulares pela região central e dois veículos para atendimento a portadores de deficiência física com dificuldade de mobilidade severa.

“O cálculo do IPK (índice de passageiro por quilômetro), que é o que dá a produtividade do sistema, era de 1,2. Quanto mais alto esse índice, melhor é a produtividade do sistema. Com base nesses números, as empresas licitantes fizeram seu plano de negócio, fluxo de caixa. A oferta vencedora foi da JTP, com R$ 4,69 a tarifa. Com esses números o sistema seguiria equilibrado e, após um ano, haveria a revisão tarifária”, disse.

Porém, antes da entrada da JTP, a Prefeitura teve que fazer redução nos números de linhas e frota, devido à pandemia. “Houve uma racionalização das linhas, alguns atendimentos específicos deixaram de ser feitos. O sistema foi redesenhado”, alegou o secretário. “A nova concessionária, a JTP, assumiu no início de outubro, prestando o mesmo serviço que a concessionária anterior estava realizando. Pegamos as mesmas linhas e quantidades de veículos e passamos para JTP. Obviamente já existia na época da concessionária anterior reclamações por supressão de horários, mas tudo isso em razão de racionalizar o sistema para conter custos. Não se tinha passageiro pagante para manter todos os veículos rodando”, disse Crantschaninov.

O secretário informou que, em geral, nos últimos meses a empresa tem atendido as demandas com frota de 60 veículos. “Arredondando, temos 2/3 da frota circulando, para transportar 224.684 passageiros/mês (média nos meses de outubro, novembro, dezembro). Estamos falando de 1/3 dos passageiros, com 2/3 da frota circulando. Das linhas urbanas, das 29 previstas, ficaram 16 linhas com a racionalização.

Recentemente criamos mais uma linha para atender o Padre Aldo Bolini, para volta às aulas, necessidade específica de atendimento, tivemos demanda para isso. As linhas rurais que eram 11 ficaram em 10, ou seja, não foram suprimidas na mesma proporção que as urbanas. As linhas circulares do centro estão rodando e os veículos para atender pessoas com mobilidade severa também. O IPK, a média de produtividade, de 1,2 caiu para 0,7, ou seja, a produtividade caiu. Estamos transportando 1/3 de passageiros com 2/3 da frota.

Quando falamos de retomar frota prevista sem ter passageiros para transporte, você aprofunda a diferença entre o que efetivamente é recebido e o que deveria ser recebido para remunerar o sistema, para ele permanecer em pé, do ponto de vista financeiro. Não existem passageiros suficientes em determinado horário que justifiquem um ônibus circulando”, concluiu.

A explicação não convenceu grande parte dos vereadores, que questionou os dados apresentados com relação à falta de passageiros, alegando que os horários da pandemia não condizem mais com a realidade da população, que em grande parte já retornou presencialmente ao trabalho, além dos estudantes que voltam para as escolas.

O presidente da JTP Transportes, Paulo Henrique Wagner, comentou: “Há um descompasso muito grande entre o contratado e a realidade, que talvez ainda perdure por algum tempo devido à pandemia. Temos pleiteado junto à Prefeitura, como empresa, solução para esse descompasso.

A tarifa para sustentar o que foi licitado estaria próxima a R$ 11, pelo número de pagantes. Antes da pandemia o estimado era 21 mil passageiros por dia, agora estamos na faixa de 8 mil”. Wagner frisou que as linhas escolares estão sendo retomadas para garantir a comodidade dos estudantes, mas que a empresa depende da Prefeitura para ampliar o atendimento das linhas. “Não temos como incluir carros sem a autorização da secretaria de Mobilidade Urbana.

A Prefeitura precisa fazer algo, também nos ajudar de alguma forma, o transporte público é uma necessidade da população, como vocês disseram”, alegou.

Os parlamentares questionaram o edital do transporte público, as dificuldades para o uso da integração, além da limpeza e manutenção dos ônibus. Também apresentaram reclamações acerca da supressão de linhas, horários e superlotação e foi cobrada uma comunicação mais efetiva da JTP, para que os usuários não sejam surpreendidos com o corte ou mudanças nos horários das linhas.

O secretário de Mobilidade ouviu com atenção as demandas, e disse que tem acompanhado a questão do transporte público em Bragança e outros munícipios com atenção. Os vereadores se comprometeram em encaminhar as demandas recebidas pela comunidade ao secretário de Mobilidade Urbana, para que possa juntamente com a empresa fazer as adequações necessárias.

Conversas no Facebook