Cotidiano

Prevenção do suicídio: especialista fala sobre o Setembro Amarelo

publicado em 4 de setembro de 2020 - Por BJD
Cristiane Cacossi Picarelli é medica psiquiatra e professora da disciplina de Psiquiatria do Curso de Medicina da PUC/SP

A próxima quinta-feira, 10 de setembro, Dia Mundial da Prevenção ao Suicídio, é a data símbolo da campanha ‘Setembro Amarelo, que tem como objetivo conscientizar, desmistificar e prevenir o suicídio.

Essa iniciativa é lançada anualmente desde 2014 pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM); neste ano com o tema: “É Preciso Agir”.
A reportagem do Bragança-Jornal conversou com a médica psiquiatra Cristiane Cacossi Picarelli, que defende a discussão do assunto como possibilidade de prevenção.

De acordo com Cristiane, de 90 a 98% das pessoas que cometem suicídio possuem algum transtorno mental. “Qualquer transtorno mental é fator de risco, mas os principais associados ao comportamento suicida são os transtornos de humor, como depressão e transtorno bipolar, e também transtornos relacionados ao uso de substâncias tanto lícitas quanto ilícitas”, explica.

A campanha Setembro Amarelo aborda temas de prevenção ao suicídio (Pixabay)

A médica explica que a maioria das pessoas que pensam em suicídio fala a respeito com pessoas de sua confiança, seja um profissional, um familiar ou um amigo, e neste caso, a primeira coisa a se fazer é ouvir com cuidado e respeito, sem julgamentos ou críticas. A profissional reforça que frases como “você precisa se levantar” ou “faça um esforço”, não são muito eficazes. “Essa pessoa precisa mais do que um incentivo, ela precisa de um tratamento”, diz Cristiane, que orienta que o adequado é convencer a pessoa de que ela precisa de ajuda profissional.

Conseguir identificar ou perceber alguns sinais de alerta é importante para direcionar a pessoa que pensa no suicídio a um cuidado adequado. Cristiane explica que o pensamento suicida é muito recorrente na população, mas geralmente é passageiro.

O perigo é quando ele fica mais recorrente e consistente, chegando ao planejamento suicida e tentativa de fato. Além do transtorno mental, a tentativa de suicídio prévia é um grande fator de risco. “Aquela ideia de que tentou o suicídio só pra chamar a atenção, senão teria conseguido, é uma crença errônea. A maioria das pessoas que comete suicídio havia tentado antes”, alerta.

Os principais sinais de alerta são: “mudança de comportamento, isolamento e em algum momento verbalização do pensamento de suicídio”, conta. A especialista também reforça que o sentimento mais relatado pelas pessoas que pensam em suicídio é a desesperança. “Vocês vão ser mais felizes sem mim” ou “eu sou um peso para vocês” são frases às quais é preciso ficar atento.

De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos e essa é a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. A OPAS/OMS estima ainda que cerca de 20% dos suicídios globais acontecem por autoenvenenamento com pesticidas, dos quais a maioria ocorre em zonas rurais de países com baixa e média renda. Outros métodos recorrentes são enforcamento e uso de armas de fogo.

Onde procurar ajuda

Para procurar ajuda pelo SUS, o recomendado é buscar os CAP (Centros de Atenção Psicossocial) e os postos de saúde, para o devido encaminhamento, ou em casos extremos, ir até os hospitais de emergência.

Quem tem convênio ou busca por atendimento particular, consultórios ou clínicas de Psiquiatria e Psicologia podem ajudar. O Centro de Valorização da Vida (CVV) também disponibiliza o número 188 para apoio emocional e prevenção do suicídio. O atendimento do CVV é gratuito e sob total sigilo.

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