Cotidiano

Pois é, parece tudo tão ligeiro, tão afoito

publicado em 23 de fevereiro de 2019 - Por Dirce Guimarães

A rapidez dos atos, a exteriorização de fatos, deixam atônitos os nossos sentidos. Parece que estamos vivendo a velocidade da luz. Essa ligeireza da comunicação causa um certo frenesi, às vezes até convulsiona, produz mudanças significativas. Chegamos ou estamos chegando ao “Admirável Mundo Novo”. Se “Admirável” que seja para todos. Hipóteses continuam a existir nesse “Mundo”? Muitas. Muitas.

POIS É, PARECE TUDO TÃO LIGEIRO, TÃO AFOITO, SEM ANÁLISE, SEM DIMENSÃO DE CONSEQUÊNCIAS. DISSEMOS PARECE.

Com pouco mais de 50 dias na Presidência da República, Jair Bolsonaro mostra as entranhas do Poder. Dá mostras de que não consegue se desvencilhar dos laços familiares, mistura a seara familiar com a seara do cargo ao qual está investido. Resultado: crise palaciana que extrapola os limites do aceitável. É grave e muito vulgar o uso do vocábulo “mentiroso” por um Presidente da República para qualificar um seu agora ex-assessor, para dar eco ao filho.

Quem cresce é o seu Vice Mourão, que questionado sobre essa crise, de forma inteligente soltou essa: Ele precisa por ordem na “rapaziada”. Mourão disse tudo, foi claro. Faz que não entende, aquele que se faz de desentendido. Vamos traduzir: “Cada macaco no seu galho”. Cada filho nos seus cargos. E o Presidente que se blinde no exercício do alto cargo de Presidente da República. Quem sabe umas lições de civilidade recheadas com ética, urbanidade e respeito, podem compor o receituário para sanar déficit de “pedigree”.

Quem sabe! E, nós da banda de cá, vamos atribuir à velocidade do tempo essa rápida recomposição de personagens com aquela mesma desfaçatez de autores de passado recente, que insistiam e ainda insistem em ocultar a culpabilidade com desculpas vazias: “eu não sou responsável”, “eu não sabia”. Um fato novo não pode apagar o anterior. Denúncias precisam ser investigadas. A ordem precisa ser restabelecida. Acabar com a corrupção é promessa de campanha eleitoral do Bolsonaro. Vai cumprir? Pois é, a história parece que se repete.

NESTA METADE DO VERÃO BRASILEIRO FLORESCEM AS QUARESMEIRAS, AS PAINEIRAS, OS MANACÁS, AS JULIETAS. ESSA BELEZA EMBRIAGA AS NOSSAS VISTAS

Enquanto isso, o Presidente Bolsonaro entrega ao Congresso Nacional proposta de reforma da Previdência Social com mudanças que arrocham a vida dos cidadãos e cidadãs menos favorecidos. Como pode um idoso carente social que hoje recebe um mísero salário mínimo, passar a receber R$400,00/mês? É para matar de inanição.

Para se começar a praticar a Justiça Social neste nosso país, os cortes têm que começar na cúpula dos três Poderes, nas três esferas, cortando drasticamente os altíssimos salários e extinguindo todas as mordomias e dando a todos o tratamento de servidores públicos que são e assim devem ser tratados, sem reverências.

E só. Eles têm que se sustentarem com os seus salários e ponto final. Ficaremos assustados com a enorme economia que pode ir para a Previdência Social. A pirâmide social do Brasil é vergonhosa, ela demonstra claramente o nível de pobreza da sua base.

E AQUI NA NOSSA BRAGANÇA, PREFEITO CONTRATA ESCRITÓRIO DE ENGENHARIA PARA DESENVOLVER 61 PROJETOS NA CIDADE

Notem que Projeto é uma proposta de um empreendimento, de uma obra que se pretende realizar, poderá nem sair do papel. Na administração pública, os Projetos são instrumentos indispensáveis para liberação de recursos financeiros, acompanhamento, prestação de contas. Secretarias Estaduais e Ministérios Federais têm um rol de propostas, é preciso que os Secretários Municipais elaborem Projetos. Quando lemos 61 projetos, nós nos alegramos, pensamos em obras de impacto para amenizar o caos no trânsito.

Pensamos na construção de elevados, de passagem de nível, de passarelas, nas confluências das nossas ruas, avenidas e nas vias intermunicipais, pensamos também nos trevos e nas ciclovias para a Zona Norte. Pensamos também em vias alternativas. Nossa Bragança, pelo seu porte, realmente precisa dessas obras para atrair investidores. E nós, moradores, precisamos dessas obras para melhoria das condições de vida.

FICAMOS DESAPONTADOS COM A APRESENTAÇÃO DO “PACOTÃO” DE PROJETOS

Nós moradores de Bragança estamos cansados de miudezas, queremos grandeza sim. Queremos fazer uso do nosso potencial, se pensarmos na nossa “localização” abrimos um leque de opções, o Turismo pode ser o carro-chefe. Como anunciou o Prefeito: A empresa Kingline-Consultoria em Soluções de Engenharia, vencedora da licitação, recebeu a ordem de serviço para realizar o gerenciamento de quatro importantes empreendimentos: Obras do Centro Cultural São Luiz; cobertura da arquibancada do Estádio Municipal Cícero de Souza Marques; obras de revitalização do Lago do Taboão e medidas de prevenção e combate ao assoreamento do Lago que poderá reduzir as enchentes.

Outras obras: reforma de 2 Unidades Básicas de Saúde: do Toró e da Vila Aparecida; Implantação de 2 Ambulatórios de Atenção Integral à Mulher e à Criança; Construção de 2 galpões no Posto de Monta. Mais 2 Projetos de obras: Integração do Ceasinha com o futuro Mercado Municipal da Zona Norte e reforma do Museu Municipal. Até aqui totalizam 13 Projetos. Engrossam a lista dos 61, Projetos e obras necessárias, mas que não demandam grandes estudos e grandes gastos: São Projetos de Prevenção e Combate a Incêndios em 25 prédios escolares municipais, e Projetos de adaptação às regras de acessibilidade em 23 prédios escolares municipais, num total de 48 Projetos, que somados aos 13 totalizam o “pacotão” de 61 Projetos. E qual o custo desses Projetos? Será paga a quantia de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Tomara que não virem “arquivos” de Projetos “sem dia” que costumeiramente acontece com Projetos públicos.

POIS É, DENTRO DESSA REFORMA DA “PREVIDÊNCIA BOLSONARO”, QUAL A CONTRIBUIÇÃO DOS PODERES AQUI SEDIADOS?

Comecemos pelo Poder Legislativo que para sua manutenção anual recebe recurso de R$ 19 milhões. Esse dinheiro faz muita falta na área de atendimento à Saúde Pública. Os nobres Vereadores precisam ser generosos, precisam ser sensíveis aos cidadãos e cidadãs desfavorecidos de bens sociais e abrirem mão dos seus altos salários de R$ 12 mil por mês para que venham amenizar os sofrimentos.

Será que nenhum Vereador, será que nenhuma Vereadora não sente uma dorzinha na consciência ao utilizar esse dinheiro público em proveito próprio? Será que é isso que os faz serem eternos candidatos às reeleições? Que tristeza!

“E assim caminha a humanidade” desumana, gananciosa, perversa, egoísta, maldosa.

A C O R D A B R A G A N Ç A ! ! !