Cotidiano

Município avança em ideias para implantação de incubadora de empresas

publicado em 19 de maio de 2018 - Por BJD
Tárcio Cacossi/BJD

A implantação de uma incubadora de empresas em Bragança Paulista serviria para alavancar o arranjo produtivo local e proporcionaria geração de empregos, qualidade de mão de obra e recursos para o município.

A avaliação é de João Roberto Moro e Vitor Garcia, diretor geral e coordenador de extensão do Instituto Federal do Estado de São Paulo (IFSP), respectivamente, e do diretor técnico da Associação do Núcleo de Excelência em Ferramentaria de Bragança Paulista (AnefBP), Vanderley Mayer, que visitaram o BJD nesta semana.

As incubadoras são instituições que auxiliam micro e pequenas empresas nascentes ou que estejam em operação, que tenham como principal característica a disponibilização de produtos e serviços no mercado com significativo grau de inovação.

Visitas a Itajubá-MG e Florianópolis-SC servem de
modelo 
para melhora do arranjo produtivo local

Elas abrem espaço para os novos empreendedores através de editais de seleção e oferecem aos aprovados suporte gerencial, jurídico, tecnológico, atividades de marketing, assessoria de comunicação, elaboração do plano de negócios, formação complementar, além de ser um espaço para intermediação de contatos e negócios.

Em geral as incubadoras arrecadam pequenos valores de aluguéis e percentuais de faturamento das empresas durante a incubação ou por um período após a incubação. A maioria das incubadoras estabelece de dois a três anos para a graduação (após a incubação, passam a funcionar de forma totalmente independente).

As referências para Bragança Paulista foram obtidas em visitas a incubadoras de Itajubá-MG, em 9 de março, uma das melhores do Brasil, e de Florianópolis-SC, onde funciona o principal polo de incubadoras do país, em 16 de abril.
“Atuar no arranjo produtivo local é o principal motivador dessa iniciativa. Estamos tentando juntar todas as ideias para que tenhamos uma incubadora importante. Ainda há pontos que estão para serem definidos até encontrar um modelo e um local ideais”, afirmaram.

Eles destacaram ainda que há tratativas com todas as unidades de ensino técnico e superior do município, que ofereceriam suporte tecnológico. Através das incubadoras, instituições como Universidade São Francisco (USF), Fundação de Ensino Superior de Bragança Paulista (Fesb), Faculdade de Tecnologia (Fatec) Jornalista Omair Fagundes de Oliveira, IFSP e Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) podem oferecer aos jovens a oportunidade de uma experiência diferenciada.

“Logicamente esperamos a participação de todas as instituições. A ideia é que todos possam se juntar a nós, já existem conversas. É uma característica das incubadoras, que saíram de dentro das universidades, onde se faz a inovação”, complementam.

Mas o gerenciamento financeiro, segundo eles, num primeiro momento teria que ser do Poder Público.
“Não é um gasto [do Poder Público]. É um investimento”, garantem. Eles citam como exemplo a incubadora de Itajubá, onde as empresas têm cerca de R$ 100 milhões de faturamento anual e ao recolher aproximadamente 3% de Imposto Sobre Serviços (ISS) proporcionam em torno de R$ 3 milhões para a Prefeitura. Já as despesas giram em torno de R$ 20 a 30 mil por mês.

A Incubadora de Empresas de Base Tecnológica de Itajubá (INCIT) funciona na Universidade Federal de Itajubá (Unifei) há 20 anos. Atualmente possui 13 empresas incubadas e 41 graduadas.

“Posteriormente, a incubadora poderia se tornar independente do Poder Público e gerida por uma associação de empresas, por exemplo, como ocorre em Santa Catarina”, completam.

Os entrevistados destacaram a visita às duas principais incubadoras de Florianópolis, que estão num estágio ainda mais avançado que Itajubá.

O Micro Distrito Industrial de Informática (MIDI) Tecnológico, criado em 1998, tem o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Santa Catarina (Sebrae/SC) como entidade mantenedora e a Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate) como entidade gestora.

O Midi Tecnológico já apoiou 98 empresas de base tecnológica. Atualmente 16 empresas fazem parte dos programas do Midi, entre pré-incubação, incubação residente e incubação virtual. De acordo com dados do Midi, 45 empresas graduadas que participaram de uma pesquisa realizada pela incubadora faturaram R$ 223 milhões, geraram 1.565 empregos, exportaram R$ 10 milhões, receberam R$ 75,5 milhões em investimentos e geraram R$ 31 milhões em tributos somente em 2016, quando houve a última atualização.

O Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas (Celta) é a incubadora da Fundação Certi (Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras), criada em 1986. O Celta atualmente mantém 45 empresas de base tecnológica que geram cerca de 800 empregos diretos e o faturamento anual das incubadas alcança aproximadamente R$ 56 milhões. A incubadora já colocou no mercado 104 novas empresas que hoje faturam R$ 9,8 bilhões, considerado o maior volume de faturamento de empreendimentos nascidos em incubadoras do país. Nos últimos três anos, o Celta graduou dezenove empresas.

O gerenciamento envolve Prefeitura Municipal de Florianópolis, Governo do Estado, Universidade Federal de Santa Catarina e entidades de classe do meio empresarial. É a maior incubadora da América Latina, em número de empresas e tamanho – são 10.500 m². O modelo da incubadora foi referência para implantação de outras similares em todo o Brasil.

Independentemente do modelo a ser seguido, as lideranças políticas, empresariais e educacionais afirmam querer uma gestão democrática, a fim de que todos tenham oportunidade de apresentar e desenvolver projetos numa seleção independente. “Com certeza vamos ter um conselho gestor reunindo a sociedade como um todo, tanto o Poder Público quanto a sociedade civil, de uma forma justa e eficiente”, acrescentam.

ARTICULAÇÃO

O tema tem sido pauta de reuniões de representantes dos poderes Legislativo e Executivo com lideranças empresariais e educacionais do município. O vereador Paulo Mário [atualmente licenciado], que em 2017 deu início às articulações junto às entidades de ensino e empresariais, e o secretário de Governo, Marcos Tasca, também visitaram as incubadoras nos dois municípios e estiveram no BJD em março, conforme reportagem publicada na edição do dia 22 daquele mês.

Eles ressaltaram que a incubadora seria um benefício para o município e não para o governo. “Estamos somente procurando abrir portas para gerar empregos no município e implantar a incubadora. Até aí o Poder Público não pode nem deve ter qualquer participação na gestão, apenas no investimento, até que a incubadora possa ser independente. As incubadoras têm um administrador, escolhido por um conselho gestor dentro da própria incubadora, sem qualquer interferência externa”, declararam Tasca e Paulo Mário na ocasião.