Cotidiano

Me Dá Uma Mão

publicado em 6 de novembro de 2020 - Por BJD
Bia Raposo e Alexandre Beraldo

Impactado pela pandemia, projeto artístico realiza oficinas com profissionais que atuam no enfrentamento ao Covid-19 e serviços essenciais, Delivery de Modelagem, Performance e Catálogo

Idealizado pelos artistas visuais Bia Raposo (Bragança Paulista) e Alexandre Beraldo (Bom Jesus dos Perdões), o projeto ‘Me Dá Uma Mão’ mescla desenho, pintura, performance e modelagem, mural, videoarte, escultura para compor a programação de Exposições, Oficinas, Happening e Intervenções Urbanas realizadas nas cidades de origem dos artistas que capitaneiam o projeto.

Com a chegada da pandemia o projeto precisou alterar seu formato, e por isso encerrou a exposição inaugural antes do previsto e elencou uma série de novas ações envolvendo além do público inicial, profissionais que atuam no enfrentamento ao Covid-19 e serviços essenciais.

O projeto propõe a participação efetiva de cidadãos de Bragança Paulista e Bom Jesus dos Perdões por meio de oficinas artísticas, gerando material para a construção de murais e esculturas a serem instalados e aplicados em praça pública, além de duas exposições que marcariam o início e o fim de todo o processo artístico.

Aprovado pelo Edital nº 10/2019 do Programa de Ação Cultural – ProAC “Produção De Exposições Inéditas De Artes Visuais No Estado De São Paulo”, os artistas visuais realizaram de 07 a 16 de março, a Exposição inaugural “Me Dá Uma Mão”, na Casa Lebre, em Bragança Paulista, e as Intervenções Urbanas: Murais de grafitti “Mão da Rua” na E.E Luís Roberto Pinheiro Alegretti (Bragança Paulista) e na Escola Municipal Profº Sérgio Gonçalves Viana (Bom Jesus dos Perdões). A partir de 16 de março, por conta do novo contexto imposto pelo Covid-19, o projeto foi redesenhado.

Catálogo “Me dá uma mão”
Lançamento previsto para janeiro/2021

Será produzido um grande catálogo do projeto com todo conteúdo artístico produzido durante todo o projeto. O catálogo será composto de desenhos da primeira exposição; telas produzidas durante a quarentena; esculturas táteis em gesso, no formato de mão – resultado das oficinas de modelagem e drive thru; os murais pintados nos muros externos das escolas parceiras e registros de todos os processos artísticos.

O catálogo será, mais que um registro das obras e ações, um objeto artístico e uma proposição de ações artísticas, a começar pela capa, que será produzida manualmente, através de stencil, pelos artistas Bia Raposo e Alexandre Beraldo, possibilitando um livro singular para cada mão que o receber.

Como a distribuição dos catálogos será principalmente em escolas públicas e asilos, esses públicos-alvo serão contemplados em seções especiais do impresso, com textos, imagens e referências que valorizam saberes, práticas e manifestações artísticas que dialogam com esse público. A bordadeira Cristina Angela Mendes Raposo de Medeiros também  será envolvida na construção desse conteúdo. A proposta educativa será coordenada e desenvolvida pela artista Bia Raposo, que é educadora, especialista em arte educação e trabalha em escolas públicas e privadas há 15 anos.

Bia Raposo conta aqui um pouco sobre a concepção do projeto e suas adaptações:

“Dias depois da inauguração do projeto, a pandemia chegou ao Brasil. Conscientes da situação que o país e o mundo estavam enfrentando, sabíamos que ficar em casa era extremamente necessário e assim nosso trabalho não poderia mais ser realizado.

A necessidade de alterar tudo o que idealizamos e começamos a construir me assustou. Nem sabíamos por onde começar. Mas depois, quando conseguimos repensar como poderíamos agir artisticamente com a sociedade em tempos de pandemia, o ‘Me Dá Uma Mão’ passou a fazer mais sentido ainda e até necessário. Por exemplo, no “Mão Na Massa”, a nova proposta de ação com as escolas, tivemos uma super adesão. Todos os inscritos foram até a escola no dia da atividade, um de cada vez. Vimos ali a necessidade das crianças de retornarem à escola, reverem os colegas, mesmo que de longe. Foi bem forte isso. Eu sinto que fez mais sentido a nossa ação na escola no contexto atual do que como planejamos inicialmente.

A proposta inicial do projeto era a produção de obras com a participação do público. Mudamos a forma mas a essência se manteve. Iniciamos o movimento “Impressões Digitais – Mãos em rede” onde convidamos o público a enviar imagens, em qualquer linguagem artística envolvendo mãos para publicação nas redes sociais, o que deu super certo.

Eu vejo que as pessoas estavam sedentas por se expressar, se conectar e impossibilitadas de fazer isso.
A performance “Mão na Mão” que seria dentro de uma galeria, tomou nova forma. Agora ela será realizada online, e regida pelas ações e reações do público participante. O público participará da construção da performance. Esta provocação artística será bem interessante e acontece neste sábado (07/11), queria convidar os leitores para estarem com a gente e vivenciar essa experiência.


As ações com os profissionais da linha de frente, “Amor de Mão” também foram uma ressignificação do projeto. Foi emocionante! Trazer para o projeto os caixas de supermercado, médica, dentista, garis, assistentes sociais, essas pessoas que não puderam ficar em casa para que nós pudéssemos.

O Me dá Uma Mão ressignificou o nosso trabalho como artistas, educadores e como seres humanos. Espero ter ajudado, por meio da arte, as pessoas ao nosso redor a viver e sonhar uma comunidade de mãos dadas e corações abertos.”

A visão de Alexandre Beraldo sobre o projeto

O Me Dá Uma Mão foi uma quebra de barreiras, tanto para o meu trabalho como, eu acredito, para o trabalho da Bia Raposo. A gente havia planejado uma pequena revolução das artes visuais, tanto em Bragança como em Bom Jesus dos Perdões, porque, especificamente, Perdões nunca teve uma exposição de artes visuais com tantas obras envolvidas. Quando veio a pandemia, a gente precisou reformular toda a execução deste projeto. Isso trouxe outras abordagens que foram necessárias nessa condição.

O projeto tem sido uma forma de a gente unir as pessoas por meio das mãos, por meio do nosso trabalho. Os moldes de mãos que a gente propôs estão tendo uma receptividade incrível. Eles são carregados de significado. Tanto para nós como para quem se dispõe a fazer o molde de sua própria mão. A gente está muito feliz com os rumos que o projeto tomou. Eu acredito que o projeto só tomou essa magnitude devido à profundidade e dedicação às artes que a Bia Raposo tem.

Mais informações nas redes sociais do projeto Me Dá Uma Mão:
Facebook: https://www.facebook.com/projeto.medaumamao
Instagram: @projeto.medaumamao

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