Cotidiano

Daesp cobra de consórcio investimentos no Aeroporto Arthur Siqueira

publicado em 14 de fevereiro de 2020 - Por BJD
Aeroporto passou a ser administrado pela iniciativa privada em 2017, com previsão de R$ 10,5 milhões em melhorias (DAESP)

O Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp) confirmou na tarde de quinta-feira, 13 de fevereiro, que o órgão estadual, ligado à Secretaria de Logística e Transportes (Selt), abriu processo contra o consórcio Voa São Paulo por não cumprir o cronograma de investimentos estabelecido para o Aeroporto Arthur Siqueira.

A concessionária alega que os investimentos estão em curso. O assunto veio à baila durante a última sessão ordinária da Câmara, na terça-feira, 11, através do vereador Paulo Mário Arruda de Vasconcellos (PL). O vereador citou na tribuna que havia recebido reclamações de moradores sobre o aumento de voos na cidade.

“A minha preocupação aumentou quando vi uma matéria na EPTV, de Campinas, de que o Daesp havia aberto um processo contra o consórcio Voa SP por não investir no aeroporto de Campinas (Campos dos Amarais). Será que o mesmo acontece em Bragança? Qual a melhoria que foi feita no aeroporto local? A empresa tem obrigações com o município”, disse o vereador.

O Bragança-Jornal entrou em contato com o Daesp para verificar se a medida também se aplicava ao aeroporto Arthur Siqueira, o que foi confirmado pela assessoria do órgão estadual. “O Daesp informa que abriu processo contra o consórcio Voa São Paulo por não cumprir o cronograma de investimentos estabelecido anteriormente no aeroporto. Se as ações não forem executadas dentro do novo prazo estabelecido, o Departamento tomará as medidas cabíveis”, diz a nota.

Em contato com a assessoria da empresa Voa São Paulo, que assumiu a administração do aeroporto em 2017, foi alegado que “todos os investimentos estão em curso e seguindo a programação”.

Ainda de acordo com a nota enviada ao Bragança-Jornal, a concessionária explicou que “o Ano I de investimentos ficou definido como início em 5 de maio de 2019. Ou seja, todas as ações do primeiro ano de investimentos estão em trânsito e serão executadas conforme contrato”.

O Voa São Paulo venceu um leilão para administrar cinco aeroportos: Jundiaí, Campinas, Bragança Paulista, Itanhaém e Ubatuba. A concessão é de 30 anos e em Bragança Paulista o investimento seria de R$ 10,5 milhões, sendo R$ 8,7 milhões nos sistemas de pistas, pátios e acessos; R$ 582 mil na reforma/ampliação do terminal de passageiros e edificações operacionais e funcionais; R$ 541 mil em sinalização diurna; R$ 166 mil em sinalização vertical; e R$ 521 mil em equipamentos de proteção de voo – Papi – Indicador de trajetória de aproximação e precisão.

INVESTIMENTOS NOS AEROPORTOS

Em 2018, um ano após iniciar a operação nos cinco aeroportos, o Voa SP conseguiu um empréstimo de R$ 4,8 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investir principalmente em infraestrutura dos aeroportos.

Conforme publicado pelo jornal O Estado de São Paulo à época, a maior parte do investimento, R$ 1,8 milhão, iria para Jundiaí, que a concessionária quer transformar numa “opção real” ao limitado aeroporto Campo de Marte, na capital paulista. Jundiaí também teria uma torre e um centro integrado de monitoramento dos demais terminais administrados pela concessionária. O projeto prevê ainda recapeamento de pistas, reconstrução de cercas e reforma do terminal de passageiros.

O plano prevê também transformar o Campos dos Amarais, em Campinas, no primeiro aeroporto internacional de aviação executiva. Para isso, o terminal receberá pesados investimentos em infraestrutura.

O consórcio opera também o aeroporto de Ubatuba, e o plano para dar rentabilidade a esse terminal é a exploração do turismo. A empresa negocia com a Petrobrás a retomada do uso do aeroporto de Itanhaém para as operações offshore da estatal. O aeroporto de Bragança Paulista, por sua vez, deve operar como centro de formação de pilotos, pois há na região diversas escolas.