Cotidiano

Com mais de 28 mil sem biometria, fila dobra quarteirão

publicado em 18 de dezembro de 2019 - Por BJD
Crédito: Bragança-Jornal

Eleitores de Bragança Paulista formaram uma extensa fila, de dobrar o quarteirão no 27º Cartório Eleitoral, localizado no Largo do Ovo, na manhã desta quarta-feira, 18 de dezembro, penúltimo dia para o cadastramento biométrico obrigatório.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mais de 28 mil eleitores ainda não cadastraram as digitais.
O brasileiro é famoso pelo hábito de deixar tudo para a última hora. O cadastramento obrigatório em Bragança Paulista foi iniciado neste ano pela Justiça Eleitoral e desde abril foram feitos plantões e estendidos os horários de atendimento.

A reportagem do Bragança-Jornal conversou com o antropólogo Paulo Artur Malvasi, que fez uma análise sobre esse comportamento. “Acredito que é aspecto cultural do brasileiro deixar tudo para última hora. Precisamos analisar num quadro mais amplo. Uma das análises possíveis é de que essas burocracias são do mundo do Estado e das leis, e muitas vezes o brasileiro se sente menos confortável.

Em muitos aspectos o brasileiro deixa de exercer a cidadania, pois não recebe plenamente os seus diretos de cidadão, sejam direitos sociais, saúde, educação, sejam direitos civis, como quando sofre violência do Estado, e isso faz com que qualquer burocracia seja difícil de o brasileiro lidar”, afirmou o antropólogo.

Malvasi ainda acrescentou que “existe também o aspecto de relação com o tempo”. “Não somos uma sociedade com um padrão produtivista, de metas. Muitas vezes não tem previsão e planejamento. É uma relação de cultura do Brasil”, finalizou.

CANCELAMENTO DO TÍTULO E REGULARIZAÇÃO

O prazo para o cadastramento biométrico encerra nesta quinta-feira, 19. Após essa data, a Justiça Eleitoral entrará em recesso e o eleitor que não tiver cadastrado a biometria poderá ter o título de eleitor cancelado.

Entretanto, até maio do próximo ano, o eleitor poderá regularizar a situação perante a Justiça Eleitoral, mediante algumas providências, entre as quais pagar uma multa.

Com o título cancelado, o eleitor ficará impedido de votar, candidatar-se, inscrever-se ou receber o Bolsa Família, tomar posse em cargo público, emitir passaporte, fazer matrícula em instituições públicas de ensino, receber salários (se for servidor público) e contrair empréstimos em bancos oficiais.