Cotidiano

Bragantina é destaque por estudo epidemiológico no Canadá

publicado em 27 de dezembro de 2019 - Por BJD
Andréia Matta Dias se formou em fisioterapia pela USF e agora é mestre pela Universidade de Laval (Foto: Arquivo pessoal)

Com formação inicial em Bragança Paulista, brasileira conquista duas bolsas de estudos após apresentação de mestrado

Andréia Matta Dias, 33 anos, nascida em Bragança Paulista, é uma brasileira de destaque Brasil afora. Recentemente ela ganhou duas bolsas de estudos no Canadá após conclusão do mestrado na área de epidemiologia. O estudo foi sobre dores lombares em trabalhadores do ramo metalúrgico e os seus reflexos psicossociais.

O estudo foi publicado no jornal canadense Le Devoir no final do mês de outubro. Na última quinta-feira, a mãe de Andréia, Maria Luiza, contou emocionada sobre o sucesso da filha e destacou que toda a formação inicial, desde o ensino básico à faculdade, foi em Bragança Paulista.

Andréia estudou no Sesi 364, depois no Colégio Adventista e se formou em Fisioterapia em 2009, na Universidade São Francisco (USF). O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) foi baseado em estudos sobre hanseníase e recebeu o aporte de dois profissionais reconhecidos do município: a assistente social Tânia Maria Guelpa Clemente, ex-coordenadora do Programa de IST/Aids e Hepatites Virais, e do médico infectologista José Ribamar Borges Mendes.
Ainda no Brasil Andréia realizou pós-graduações em traumatologia na Unicamp; e Saúde Pública, no Instituto de Saúde da Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo.

Casada e mãe de duas filhas, ela se mudou definitivamente para o Canadá em 2017. Em setembro do ano seguinte se matriculou para um mestrado na Universidade de Laval, em Quebec, no Canadá. Após a apresentação da tese sobre “Dores lombares em trabalhadores do ramo metalúrgico e os seus reflexos psicossociais”, Andréia foi premiada com bolsas de estudo, uma da própria Universidade de Laval e outra do Institut de Recherche Robert-Sauvén Santét en Sécurité du Travail (IRSST) – Instituto de Pesquisa Robert-Sauvén Santét em Segurança do Trabalho.

ESTUDO

Conforme mencionado, o jornal Le Devoir fez uma matéria especial contando sobre o estudo. O Bragança-Jornal reproduz trechos da reportagem.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, “dor nas costas” é um dos problemas de saúde mais relacionados à incapacidade na vida. No Quebec, um estudo do Ministro da Saúde e Serviços Sociais revela que em 2014-2015, 14% dos trabalhadores com 15 anos ou mais de idade sofriam de distúrbios osteomusculares nas costas. Esse problema não poupa trabalhadores de colarinho branco.

A maioria dos estudos sobre essa questão se concentra em aspectos físicos e mecânicos, como: a ergonomia da estação de trabalho, as posturas do trabalhador, a qualidade de sua cadeira, o posicionamento da tela do computador, etc. “As restrições psicossociais são pouco estudadas, mas causam estresse entre os trabalhadores”, explica Andréia.

24 ANOS DE ACOMPANHAMENTO

Andréia começou a preencher essa lacuna observando mais diretamente os vínculos entre as restrições psicossociais no trabalho e o aparecimento de lombalgia. O projeto ganhou o prêmio IRSST-Masters. As restrições psicossociais no trabalho podem ser muito variadas e de diversas intensidades e dizem respeito, por exemplo, à quantidade de trabalho, sua complexidade, previsibilidade, grau de autonomia do trabalhador, nível de supervisão exercida sobre ele ou mesmo o apoio sócio-profissional com o qual ele pode contar. Todos esses fatores se combinam e podem levar ao aparecimento do estresse no trabalho, o que pode ter efeitos negativos sobre o funcionário, especialmente se ele for sentido por um longo período.

A pesquisadora teve acesso aos dados do projeto Prospective Québec sobre trabalho e saúde (PROQ), que dizem respeito a 9.189 trabalhadores de colarinho branco recrutados entre 1991 e 1993 de 19 empresas públicas na região de Quebec. Três coletas de dados foram realizadas em um período de 24 anos. A dor lombar foi objeto de um questionário durante o último acompanhamento, realizado de 2015 a 2018. Foi solicitado aos participantes que indicassem em um manequim as áreas do corpo que os fizeram sofrer.

O estudo em que Andréia se baseia se distingue pelo tamanho da amostra, pelos numerosos acompanhamentos realizados, medições repetidas de restrições psicossociais no trabalho por um período de 24 anos. “Isso permitirá que eu observe se existem links entre esses tipos de restrições e o aparecimento de lombalgia nesses trabalhadores”, explica. Ao fazer isso, ela espera identificar novas e mais eficazes linhas de intervenção para reduzir a incidência desse importante problema de saúde pública.

PESQUISADORA EXPERIENTE

Andréia não é iniciante em pesquisa em saúde. Nascida na cidade de Bragança Paulista, trabalhou em pesquisas com pacientes com hanseníase. O objetivo era monitorar os pacientes que receberam medicamentos do governo e avaliar como eles reagiram a esse tratamento.

Ela também estudou funcionários da indústria metalúrgica para verificar suas condições de trabalho e seus vínculos com possíveis dores físicas. “Sempre me interessei por fatores mecânicos, mas também psicossociais, que podem causar dor pelo local de trabalho”, diz ela.

A pesquisadora chegou ao Canadá há dois anos e queria continuar na mesma linha. Ela se encontrou com o Dr. Clermont Dionne, que trabalha com assuntos relacionados à dor musculoesquelética. Também recebeu apoio do Dr. Chantal Brisson, cuja pesquisa se concentrou na epidemiologia psicossocial, incluindo restrições psicossociais no trabalho. “É um sonho para alguém que quer estudar uma questão epidemiológica ter acesso a uma corte tão grande e monitorada por vários anos”, disse ela.

INCENTIVO

A mãe, Maria Luiza, contou à reportagem do Bragança-Jornal que a filha sempre foi incentivada aos estudos, seja pelos professores do Canadá, quanto os daqui, da USF. “Nós não podemos menosprezar informação. Os colégios de Bragança Paulista dão estrutura para que nossos filhos sejam bem sucedidos”, finalizou.