Cotidiano

As entrelinhas da paternidade

publicado em 7 de agosto de 2020 - Por BJD
Marcelo Velasco Figueiredo, que contraiu Covid-19, se recuperou e vai desfrutar o Dia dos Pais ao lado da esposa e filhos (Arquivo Pessoal)

“Ser pai é muitas coisas”, diz Marcelo Velasco Figueiredo, de 49 anos, morador de Bragança Paulista e pai de dois filhos. Portador de esclerose múltipla desde 1995, o fato de ter como uma companheira a cadeira de rodas não o impossibilita de realizar o que quer.

Marcelo é um homem que enxerga oportunidades nas dificuldades, seja de superação ou de reconhecimento ao apoio afetivo e espiritual dos amigos. Pai de Inácio, de 16 anos, e Frederico, de 17 anos, ele entende que ser pai é contemplar esse processo de vida.

Em seus 49 anos de vida, ele se aproxima ainda mais de algo que o ajuda muito: a espiritualidade. Marcelo é também escritor, sendo um de seus livros, “Como tu queres”, um relato de sua vivência de oito dias em um retiro em Itaici, Indaiatuba/SP. Retiro este, cuidadosamente meditado para a contemplação dos mistérios da morte e ressurreição de Jesus Cristo, diante o desafio da esclerose múltipla. É deste processo que muitas das forças de Marcelo são renovadas.

Muitos o veem como palestrante, outros como autor. Há quem o veja como referência em conhecimento e espiritualidade. Há quem o reconheça como pai, uma missão “para se dar graças a Deus, porque aquilo que um dia foi um plano de amor de duas pessoas, se fez carne”, diz ele.

Como outras mais 1.900 pessoas de Bragança Paulista, Marcelo contraiu o vírus Covid-19. Dada sua experiência com a H1N1, a falta de ar não foi um sintoma o que o assustou. Na verdade, tudo começou com sua internação por outro motivo. Sua esposa, Vanina, com quem mantém um enlace matrimonial desde 1999, que o acompanhava no hospital, começou a sentir-se mal e a perceber perda do paladar. No Pronto Atendimento, resultado positivo.

Resumo, ambos em isolamento. Enquanto isso, Inácio e Frederico ficaram em casa, cuidando de tudo, até porque, parte da paternidade, para Marcelo, foi incentivá-los a ajudar nas tarefas do lar.

Seu tratamento? No hospital. Sem maiores complicações. “Ajudou muito não precisar intubar”, diz. A falta de ar e o cansaço, por sua vez, levaram por volta de um mês para cessar. Hoje, já voltou tudo ao normal. E assim volta também a normalidade da paternidade: “abraço, briga, perdão, quarto desarrumado, noites sem dormir e assim por diante”, descreve.

Para Marcelo, os pais amadurecem, enquanto os filhos despertam para uma vida própria, independente. E no meio disso tudo? “A gente discorda, engorda, recorda e, se tudo der certo, se transforma em um ser humano melhor”, enfatiza.

Este Dia dos Pais, para ele, não será diferente na forma, mas, ainda bem, “estaremos almoçando juntos de novo, ouvindo piadas antigas como fossem novas, evitando falar de política, comentando as novidades e quem sabe, depois de um belo almoço, tirar a sesta no sofá”, finaliza.

Marcelo Velasco Figueiredo é morador de Bragança Paulista desde 1999, contraiu Covid no mês de junho e se tratou na Santa Casa. Hoje está recuperado, e assim pode desfrutar de mais um Dia dos Pais, ao lado da esposa e filhos.

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