Cotidiano

Arautos do Evangelho

publicado em 21 de outubro de 2019 - Por BJD

Internato de São Paulo:
Grupo católico é investigado por abuso psicológico e humilhações

Os Arautos do Evangelho, um grupo católico de rituais questionados até pelo Vaticano e alvo de denúncias de dezenas de ex-integrantes, está sendo investigado pelo Ministério Público. Ex-arautos, pais de crianças e adolescentes que vivem isolados em seus internatos deram relatos de uma rotina de alienação, sem contato com o mundo exterior, situação confirmada por laudos feitos a pedido do Ministério Público.

O grupo católico conservador surgiu do rompimento com outra sociedade conservadora, a TFP, que defende a tradição, a família e a propriedade. “Não se consegue nada verdadeiramente valoroso sem disciplina”, afirmou João Clá, fundador, em 2002.

Foi em 1999 que o monsenhor João Clá Dias, que fazia parte da TFP, fundou os Arautos do Evangelho. De acordo com o estatuto, com a missão de levar a animação cristã das realidades temporais, segundo o seu próprio carisma. Hoje, a associação tem 15 colégios no Brasil, com cerca de 700 alunos.

Em 2001, os Arautos foram reconhecidos pelo Vaticano como associação religiosa. Mas os Arautos enfrentam uma série de denúncias desde o início do ano passado. Elas foram feitas por 40 pessoas no Ministério Público, na cidade de Caieiras, na região metropolitana de São Paulo, onde ficam os castelos do grupo. Os relatos são de abuso psicológico, humilhações, assédio e estupro.

O programa Fantástico, da Rede Globo, transmitiu reportagem neste domingo, dia 20, e ouviu algumas mães que começaram a desconfiar quando notaram mudança de comportamento nos filhos. Elas afirmam que os Arautos estimulam o afastamento da família.

O Fantástico ouviu 23 pessoas em vários estados do Brasil e no exterior. Doze delas estão citadas no inquérito aberto no Ministério Público e relatam situações parecidas.

As mães dizem que os Arautos usam o medo para manter os internos perto deles.

Ex-internas também denunciaram abuso sexual e estupros. Um boletim de ocorrência foi feito na polícia em maio desse ano. Uma moça contou que, aos 13 anos, foi acordada pela encarregada do alojamento para tomar banho. Percebeu que estava com sangramento e a região íntima irritada e inchada. Ela acredita ter sido dopada.

Peritos do Ministério Público, das áreas de assistência social e de psicologia, começaram a vistoriar em junho deste ano as dependências dos Arautos para analisar as condições em que vivem crianças e adolescentes.