Cotidiano

Após 10 anos, HUSF volta a realizar transplante renal

publicado em 30 de junho de 2018 - Por BJD
O HUSF está credenciado pelo Ministério da Saúde para realizar esse tipo de procedimento novamente

Após 10 anos sem realizar transplantes renais, o Hospital Universitário São Francisco (HUSF) reintroduziu o Laboratório de Transplantes. O HUSF está credenciado através do Ministério da Saúde para realizar esse tipo de procedimento novamente.

Segundo a assessoria de imprensa do hospital, o primeiro transplante no HUSF foi realizado em 1994. Até 2008 foram feitas 62 cirurgias. A 63ª aconteceu recentemente, no dia 19 de junho. A equipe multiprofissional realizou, com sucesso, um transplante renal de doador vivo.

“A volta desse tipo de procedimento traz benefícios para todos os profissionais do hospital, pois são implementadas políticas que irão melhorar a assistência hospitalar como um todo. A interação entre todas as áreas só traz ganhos, pois dissemina o conhecimento e gera mais afinidade entre as equipes”, afirma Thiago Filiponi, médico nefrologista e coordenador da UTI do HUSF.

Cirurgia ocorreu no dia 19 de junho e meta
é realizar um transplante por mês

O Brasil é o segundo colocado em número absoluto de transplantes renais (de uma lista de 30 países). De acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), em 2016 foram feitos 5.426 transplantes. Os EUA estão em primeiro, com cerca de 20 mil, e a França em terceiro, com aproximadamente 3,5 mil.

Segundo o RBT, em dezembro de 2017 no Brasil havia 21.059 pacientes na lista de espera para um transplante renal. “São 120 mil pessoas fazendo hemodiálise no Brasil. Somente na nossa região, são cerca de mil pessoas”, conta Alexandre Arrebola, também médico nefrologista do HUSF.

O paciente transplantado vive mais e melhor. “Ele terá mais autonomia e qualidade de vida”, diz Marcos Castro, médico urologista do HUSF e coordenador da equipe do transplante. “Mas é importante ressaltar que o transplante não é a cura, apenas uma forma de tratamento para doenças renais crônicas”.

Vida Nova

Desde 2014, parte da rotina do mecânico S. B. R., 37 anos, era fazer hemodiálise três vezes por semana no HUSF. Cada sessão dura, em média, quatro horas. Pacientes com insuficiência renal conhecem bem o dia a dia dentro da hemodiálise. O tratamento, que usa uma máquina para filtrar o sangue, traz algumas limitações. “A vida fica mais restrita, não podia viajar, estava sempre preocupado e com medo de alguma complicação”, recorda o paciente.

Contudo, a vida do mecânico começou a mudar no fim de 2017 quando seu irmão decidiu doar um rim. “Eu não queria que ninguém se sacrificasse por mim. Por isso estava na fila de doadores falecidos. Mas depois de tanto tempo na hemodiálise a gente vai cansando. Meu irmão insistiu e eu aceitei”.

Pré-operatório

José G. de Matos Júnior, enfermeiro e coordenador da hemodiálise explica as várias etapas até a cirurgia: “Diversos exames são feitos para comprovarmos que o doador é compatível com o receptor”. Após certificar a compatibilidade, os pacientes são submetidos a outros exames para constatar que ambos estão em condições de passar pela cirurgia, como exames cardíacos, anestésicos e avaliação da equipe de urologia.

A equipe médica então prepara o termo de consentimento. “Nós conversamos com o doador e o receptor e expomos todos os riscos. Inclusive existe a participação de um psicólogo que oferece suporte tanto para os pacientes, como para os familiares”.

Thiago Filiponi explica que no Brasil o transplante de doador vivo relacionado pode acontecer entre parentes de até segundo grau. Doadores não relacionados, ou seja, que não são parentes, necessitam de autorização judicial.

Transplante

As cirurgias são feitas simultaneamente, ou seja, o rim retirado do doador vai imediatamente para o receptor. O procedimento dura cerca de quatro horas. Nas cirurgias do dia 19, participaram 20 profissionais. “O rim é colocado na região pélvica”, explica Marcos Castro. E uma curiosidade: o receptor fica com três rins. “A maioria das pessoas pensa que um rim é retirado para o outro ser colocado. Mas não é isso que acontece”, esclarece.

Marcos ainda explica que o doador recebe alta após 48 horas da cirurgia. Após os cuidados pós-operatórios, pode levar uma vida normal, mas tomando cuidado com a alimentação. É necessário ter uma vida saudável.
Já o paciente transplantado fica internado em média sete dias.

Depois do procedimento ele é encaminhado à UTI, para que a equipe médica controle os sinais vitais, o volume de urina e a função renal. “É importante falar que o paciente irá tomar imunossupressores pela vida inteira. São esses medicamentos que irão ajudar o organismo a não rejeitar o órgão transplantado”, conta Alexandre Arrebola.

A durabilidade do rim transplantado de uma pessoa viva é de 15 a 20 anos. Já de doador falecido é de 10 a 15 anos. O limite máximo de idade para uma pessoa realizar o transplante é 70 anos.

Vida Nova

Nos primeiros meses após o procedimento, S. B. R. terá que tomar alguns cuidados: andar com máscara para se proteger de infecções, evitar lugares fechados ou com aglomeração de pessoas. Além disso, terá que fazer consultas médicas regulares. Primeiro elas serão semanais, depois quinzenais, mensais e assim  por diante. “A vida segue normalmente”, enfatiza Dr. Alexandre.

R. A. S., 37 anos, esposa do paciente também falou da emoção que sentiu. “Foram quatro anos de sofrimento. O que o irmão fez não é coragem, é amor”.  O mecânico ouve a esposa e confirma. Ele estava ansioso para receber alta hospitalar e ir para a casa. “A partir de hoje é vida nova, novos planos”, diz emocionado.

Prevenção

Estima-se que 10% da população brasileira tenha alguma disfunção renal. Por esse motivo é tão importante cuidar da alimentação e buscar um estilo de vida saudável. “Hipertensos, diabéticos e pessoas com histórico familiar de doença renal devem fazer acompanhamento com um nefrologista”, conclui Alexandre.

Equipe Médica HUSF

A equipe médica responsável pelo transplante é composta pelos urologistas Marcos Antonio Santana Castro, Nilton José de Oliveira, Denis Wilson Ramos, Celso Lepera; nefrologistas Alexandre de Toledo Arrebola, Thiago Filiponi, James Patrick C. O. Bersano; anestesistas Mauro de Mello Rodrigues; Joaquim L. da Silva; enfermeiro coordenador da hemodiálise José G. de Matos Júnior; gerente de enfermagem Eduardo Camargo Gonçalves; enfermeira coordenadora do Cento Cirúrgico Carla Freitas Bastos e coordenadora de enfermagem UTI adulto Helenice Maria da Costa. O setor de farmácia foi representado pelo farmacêutico Marcos Daniel de Toledo.