Coronavírus

Vírus desconcertante, crise avassaladora

publicado em 20 de março de 2020 - Por BJD

Começou longe, começou pequeno. De repente está assustadoramente presente em muitos países, desenvolvidos ou não. Sua velocidade de multiplicação e expansão atordoa inclusive a pessoas como nós, acostumadas à velocidade dos veículos, dos computadores e dos aviões.

Além da infecção generalizada de indivíduos e de numerosas mortes, traz consigo uma estrondosa mudança de hábitos, valores e crenças. Em poucos dias muita gente tem a sensação de que está vivendo num mundo desconhecido, muito diferente, ameaçador e, inclusive, sem perspectivas imediatas.

Os vírus são seres que não possuem células, são constituídos por ácido nucléico que pode ser o DNA ou o RNA. Tem dimensões apenas observáveis ao microscópio eletrônico. Conseguem invadir células. Somente exprimem as atividades vitais de reprodução e propagação no interior de uma célula hospedeira. Eles invadem células, o que causa a dissociação dos componentes da partícula viral. Esses componentes então interagem com o aparato metabólico da célula hospedeira, subvertendo o metabolismo celular para a produção de mais vírus.

Não é um fenômeno novo. A história de surtos gripais é longa e assustadora: Gripe russa (1889-1890), com 1,5 milhão de mortes; gripe espanhola (1918-1919) com 100 milhões de mortos; gripe asiática ( 1957-1958) com cerca de 2 milhões de mortes; gripe de Hong Kong (1968-1969) com cerca de 3 milhões de mortes.

Nos últimos 30 anos, os surtos de vírus aumentaram e doenças que se espalham rapidamente se tornaram mais comuns. Mas por quê? É fato que há mais gente no planeta do que nunca. E estamos vivendo cada vez mais próximos uns dos outros. Uma concentração maior de pessoas em espaços menores, significa um risco maior de exposição a patógenos causadores de doenças.

Esse tipo de contágio e suas conseqüências, desconcertam nosso modo de viver e, inclusive, de ver a família, o trabalho, o consumo, assim como nossas crenças e valores. Somos adeptos da velocidade e da rapidez em nosso dia a dia, em nossas atividades profissionais, em nossa comunicação social. De repente, a orientação mais consistente vai no sentido de parar, de se recolher, de evitar contatos físicos. Nosso lazer está baseado em grande parte em reuniões de pessoas em casa, chácaras, bares, clubes, praias.

Tudo isso do dia para a noite deve ser encerrado para contribuir para a não propagação do vírus. Ocorre que vivemos numa sociedade de consumo. Empresas, empregos e renda familiar dependem muito dessa movimentação dos indivíduos. É inevitável que a economia também receba forte solavanco. Neste caso, diminuir o ritmo e inclusive parar é muito mais rápido do que a posterior retomada e aceleração. Controlada a epidemia, será ainda necessário muito investimento, trabalho e tempo para a economia retomar a dinâmica que lhe é peculiar.

Quando somos acometidos de alguma moléstia, costumamos ir para casa, tomar medicação e receber carinho da família e de amigos. Defrontamo-nos agora com uma recomendação que não cabe em nossa cabeça e que estraçalha nosso emocional: isolamento, distanciamento de pessoas inclusive de nossa convivência.

Mais do que isso, costumeiramente inseparáveis, netos devem manter distância de avós. Desconcertante. Avós não se afastam de netos, inclusive sob risco de contágio. Como fazer esse isolamento em milhões de lares brasileiros, em que numa mesma casa pequena e precária convivem vários idosos, adultos e crianças?

Também a fé religiosa pode se encontrar abalada em momento tão catastrófico como o atual. Quando a coisa aperta, cada um de nós recorre mais frequentemente aos serviços religiosos de nossas igrejas. Agora elas estão fechadas, sem celebrações, cultos, sessões, reuniões ou orações comunitárias. Costumamos atribuir a Deus a organização e a manutenção da vida sobre o planeta. Como manter firme a fé quando a vida humana sofre intenso processo de degeneração?

A contribuição do Bragança-Jornal é pequena diante da crise avassaladora que ricos e pobres, governados e governantes, novos e, principalmente idosos e enfermos de outras moléstias estamos vivendo. Comprometemo-nos a buscar diariamente notícias e orientações que contribuam para a superação dessa crise desconcertante. Parodiamos aqui o governador João Dória: “Cuidemos com carinho de nossos idosos”.

E acrescentamos: Cuidemos com carinho daqueles que tiverem uma gripe simples. Esta, mais do que nunca nos causará acentuada preocupação. Cuidemos intensamente daqueles que durante dias aguardarão confirmação de diagnóstico. Sempre com as orientações profiláticas que nos chegam a todo momento.
A Direção.