Coronavírus

São Paulo vai testar e produzir vacina contra coronavírus

publicado em 13 de junho de 2020 - Por BJD
Parceria entre o Instituto Butantan e  farmacêutica chinesa prevê ensaio clínico em 9 mil voluntários no Brasil para comprovar eficácia de imunização (Agência Brasil)

O Instituto Butantan e a farmacêutica chinesa Sinovac fecharam acordo para a produção e testes em estágio avançado de uma vacina contra o coronavírus.

O acordo prevê testagem em 9 mil voluntários no Brasil e fornecimento de doses até junho de 2021 se a imunização se provar eficaz e segura.

A vacina é chamada de CoronaVac pela farmacêutica chinesa e já foi ministrada com sucesso em cerca de mil pessoas na China nas fases clínicas 1 e 2 – antes já havia sido aprovada em testes de laboratório e em macacos. Com o controle da pandemia na Ásia, a empresa sediada em Pequim buscava cooperação com outros países para dar sequência à etapa final de testes.

Com a formalização do acordo, o Butantan submeterá a proposta de ensaio clínico à aprovação dos comitês de ética e pesquisa. Após o aval, a testagem poderá ser iniciada em julho.

O ensaio clínico vai verificar eficácia, segurança e o potencial do medicamento para produção de respostas imunes ao coronavírus nos 9 mil voluntários. O Butantan vai preparar centros de pesquisa para condução dos estudos em todo o Brasil.

Se a vacina for aprovada, a Sinovac e o Butantan vão firmar acordo de transferência de tecnologia para produção em escala industrial tanto na China como no Brasil para fornecimento gratuito ao SUS. Os passos seguintes são o registro do produto pela Anvisa e fornecimento da vacina em todo o Brasil.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), há cerca de 136 estudos de vacinas contra o coronavírus no mundo, mas somente dez estão na fase de ensaio clínico, que permite testagem em humanos. A vacina da Sinovac é baseada na manipulação em laboratório de células humanas infectadas com o coronavírus.

A vacina é produzida com fragmentos “desativados” do coronavírus para inoculação em humanos. Com a aplicação da dose, o sistema imunológico passaria a produzir anticorpos contra o agente causador da Covid-19.

É o mesmo princípio usado em outras vacinas globalmente bem-sucedidas, como as do sarampo e poliomielite. O Butantan é o principal produtor de soros e vacinas do Brasil e possui expertise reconhecida em todo o mundo em tecnologias de imunização.

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