Coronavírus

Pacientes com câncer devem estar atentos antes da vacinação

publicado em 18 de janeiro de 2021 - Por BJD
Especialista afirma a importância da vacinação contra o novo coronavírus para evitar complicações (Pixabay)

Os pacientes oncológicos estão incluídos como prioritários no Plano Nacional de Vacinação contra a Covid-19, porém, há restrições para a imunização, dependendo do estágio de tratamento e do tipo de câncer.

A capacidade de produzir resposta imune à vacina também pode ser menor nos pacientes com câncer.

Pessoas com câncer são mais suscetíveis às complicações da Covid-19. Enquanto entre 3% e 4% dos infectados pelo novo coronavírus correm risco de evoluir para a forma grave da doença, nos pacientes oncológicos o percentual chega perto dos 13%.

“Os pacientes em tratamento do câncer são geralmente imunossuprimidos (redução do sistema imunológico), por ação de medicamentos, quimioterapias ou radioterapia. Por isso, o risco de complicações em caso de Covid é bem maior na comparação com os demais”, detalha o oncologista Fernando Medina, do Centro de Oncologia Campinas.

Medina destaca que os pacientes oncológicos requerem cuidados especiais no que se refere às imunizações – o que inclui aconselhamento médico. Não podem receber todos os tipos de vacina e, conforme o estágio de tratamento, conseguem produzir baixa resposta imune. “A quimio e a radioterapia são complicadores para o paciente com câncer. Eles não têm a mesma resposta de imunização à vacina que um paciente sem a doença. Por outro lado, precisam muito da vacina porque são mais suscetíveis a complicações”, compara. Para ter uma resposta imune semelhante à da maioria das pessoas, o paciente oncológico precisaria estar ao menos há seis meses sem realizar procedimentos quimio e radioterápicos.

A imunossupressão dos pacientes com câncer exige também atenção com o tipo de vacina aplicada. “Vacinas elaboradas a partir de vírus vivos, como a da febre amarela, por exemplo, não podem ser aplicadas. Devido à baixa imunidade, não se sabe a capacidade do paciente de desenvolver a doença a partir da aplicação da vacina”, explica o oncologista.

No caso das vacinas a serem utilizadas no Brasil contra a Covid-19, Medina tranquiliza: nenhuma delas traz risco ao paciente oncológico. “A Coronavac, por exemplo, usa o vírus inativado, que não traz riscos, mas a resposta imune dos pacientes com câncer talvez seja melhor com vacinas que utilizam o RNA mensageiro. Porém, não é possível dizer ao certo. As vacinas foram desenvolvidas rapidamente, para conter uma pandemia, muitos estudos ainda estão em andamento. Com certeza, mas adiante saberemos mais sobre a relação de eficácia das vacinas nos pacientes com o câncer”, afirma o oncologista.

Apesar de todas as considerações, Medina reforça a importância da vacinação contra o novo coronavírus para os pacientes com câncer. “As situações são específicas para cada um, dependendo do tipo de câncer, do estado geral de saúde e da fase de tratamento. O aconselhamento médico é imprescindível às pessoas com câncer. Mesmo a vacina podendo não ser tão eficaz em comparação ao restante da população, ela é importante porque os pacientes com câncer correm risco maior de ter complicações ocasionadas pela Covid-19”.

IMPACTO DA VACINA PARA PESSOAS COM CÂNCER

De modo geral, a imunização da população traz outros valiosos ganhos para os pacientes com câncer. “A pandemia retardou a detecção do câncer. A queda de atendimentos de pessoas com suspeita da doença chegou a 40% nas fases de pico da doença. Hoje, há muito mais pacientes que chegam em fases avançadas da doença do que antes da pandemia.

Com a superlotação dos hospitais, as cirurgias eletivas e procedimentos importantes de diagnósticos, como endoscopias, foram suspensos. Todo esse cenário agravou o estado dos pacientes. A volta à normalidade significa também o retorno de diagnósticos precoces e de melhores prognósticos”, finaliza Medina.

CUIDADOS

Os pacientes oncológicos devem seguir basicamente as mesmas regras de higiene e cuidados para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. Os tratamentos e revisões médicas não devem ser interrompidos em função da pandemia, a não ser por decisão médica.

O uso da máscara de proteção é fundamental fora do ambiente doméstico.
As orientações de isolamento social, válidas para toda a população, se aplicam de maneira mais acentuada aos pacientes oncológicos. O ideal é permanecer em casa e só sair para dar continuidade ao tratamento. Se for realmente necessário sair, evitar aglomerações e manter distância das outras pessoas.

Os restante dos cuidados são os mesmos aplicados a todos: lavar as mãos com frequência e com atenção por pelo menos vinte segundos; tentar não levar as mãos ao rosto; cumprimentar a distância, sem aperto de mão, abraços e beijos, mesmo de familiares; evitar contato com pessoas que tenham sintomas de gripe; não compartilhar objetos de uso pessoal como toalhas, talheres, pratos e garrafas; higienizar objetos e superfícies tocados com frequência, incluindo celulares, chaves, maçanetas etc.

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