Coronavírus

Impactos da pandemia e retomada da educação infantil

publicado em 29 de maio de 2020 - Por BJD
Arquivo/Bragança-Jornal

A pandemia do novo coronavírus trouxe impactos que não imaginávamos há três meses. E que ainda exigirão grande esforço das famílias no processo de retomada de um cotidiano caracterizado por aquilo que reconhecemos como normalidade.

Os impactos atingem vários aspectos da vida familiar, inclusive, a educação infantil. A reportagem do Bragança-Jornal entrou em contato com algumas mães que têm filhos pequenos e que frequentam escola desde o maternal. Maria das Graças relatou que enfrenta vários desacertos com a paralisação das aulas: não tinha com quem deixar a filha quando a escola parou de funcionar, depois, quando ela entrou em ‘home office’, teve dificuldades de conciliar trabalho e cuidado da menina. “Vivi dias com a sensação de que não fazia bem o papel de mãe, nem desempenhava direito o trabalho, o que logo resultou em muito cansaço”.

Joana, outra mãe, está preocupada com a retomada, na medida em que teve redução salarial e não está conseguindo reservar valor correspondente à mensalidade em escola particular. Cogita deixar o filho em casa durante o resto do ano no caso de não encontrar vaga em escola pública municipal. Joana ficou ainda mais preocupada ao ser informada por uma amiga que a educação infantil a partir dos 4 anos de idade é obrigatória.

De acordo com a Constituição Federal, art. 208, I, com redação da Emenda Constitucional 59/2009, a educação básica é obrigatória dos 4 aos 17 anos de idade. Os pais ficam responsáveis por colocar as crianças na educação infantil a partir dos 4 anos e por sua permanência até os 17. Já os municípios e os Estados tiveram até o ano de 2016 para garantir a inclusão dessas crianças na escola pública.

É possível que nos próximos meses a rede pública municipal tenha demanda de crianças que estavam em escola particular. Trata-se de uma demanda não prevista, exigindo ampliação do número de vagas. Por sua vez, algumas escolas particulares poderão ter seu equilíbrio financeiro prejudicado ao perder alunos. Esse mesmo equilíbrio já foi alterado na medida em que escolas precisaram acolher pedidos de desconto ou de adiamento de pagamento oriundos de pais que perderam renda neste período.

Outra tendência é a educação domiciliar: a homeschooling é a substituição integral da frequência à escola pela educação doméstica, onde a responsabilidade pela educação formal dos filhos é atribuída aos próprios pais ou responsáveis. A criança não frequenta uma instituição de ensino, seja ela pública ou particular. As aulas são lecionadas em casa pelos genitores ou por professores particulares contratados por estes.

Esta alternativa ainda depende de avanços legislativos e da capacidade dos pais lecionarem. José Henrique, pai de 3 crianças, não considera viável esta alternativa: “Tentei ensinar a criançada nestes dias em casa. Fiquei desesperado, não tenho o menor dom para lecionar. Estou valorizando ainda mais o papel do professor”.

Os pais querem a melhor educação para os filhos, seja do ponto de vista da aprendizagem das diversas linguagens, como em termos de socialização com adultos e outras crianças da sua idade. A melhor alternativa é retomar a rotina de antes na escola em que os filhos já estão entrosados. A procura de vaga em escola pública municipal é uma boa alternativa, visto que elas estão revitalizadas em vários aspectos.

Dentre outras decisões necessárias e urgentes, a decisão familiar quanto à educação infantil requer dedicação nesta retomada pós-pandemia. É importante o diálogo com mantenedores de escola particular e, se necessário, buscar vaga adequada em escola pública. Também a criança passará por uma retomada de horários e aprendizagens que exigem acompanhamento e apoio dos pais. Não são poucos os desafios que os envolvidos com educação infantil têm diante de si.

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