Coronavírus

Estudo prevê pandemia mais forte no interior de SP em três semanas

publicado em 24 de abril de 2020 - Por BJD

Uma pesquisa sobre a disseminação do novo Coronavírus feita por pesquisadores da Unesp, mostra que os casos da Covid-19 no interior paulista estão três semanas atrás dos números registrados na capital e em regiões metropolitanas como Campinas, Sorocaba e Baixada Santista.
“Graças ao isolamento feito em São Paulo, as cidades do interior estão três semanas atrás no número de casos. Então não é hora de relaxar a quarentena. Estamos vivendo a maior calamidade pública desde a gripe espanhola”, diz o professor Carlos Magno Castelo Branco Fortaleza, da Faculdade de Medicina da Unesp em Botucatu e integrante do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo.

Ele explica que cidades maiores têm uma maior responsabilidade, que é proteger as cidades pequenas da disseminação da COVID-19. “Municípios como Bauru, Araraquara, São José do Rio Preto e Ribeirão Preto, entre outras, são importantes para deter o avanço do vírus”, afirmou o professor. Carlos Magno ressalta que o oeste paulista tem o maior número de idosos do Estado. “Essa é justamente a população mais frágil, mais suscetível, e a região está afastada dos grandes centros”, alertou.

Segundo o professor titular Raul Borges Guimarães, do Departamento de Geografia da Unesp em Presidente Prudente, se por um lado a capital concentra mais da metade dos casos da Covid-19 no Estado, por outro o interior enfrenta outro tipo de problema: menos acesso a hospitais e equipamentos.

“Quem mora em uma cidade com zero caso e se desloca para um município maior para trabalhar, estudar ou fazer compras, está ajudando a disseminar o vírus em sua cidade. Os municípios menores estão longe dos hospitais, com menos acesso a equipamentos”, destacou. “As medidas tomadas até o momento mostram que o isolamento social está funcionando, está conseguindo frear o processo”, completou o professor.