Coronavírus

Balanço de março: Relação entre casos confirmados e descartados no município preocupa Saúde

publicado em 3 de abril de 2020 - Por BJD
Gráfico mostra número de notificações confirmadas e descartadas

A secretária municipal de Saúde, Marina Fátima de Oliveira, demonstrou preocupação em relação ao número de casos confirmados e descartados no município. Em um balanço divulgado nesta semana, a chefe da pasta analisou os dados deste mês de março.

Desde a primeira notificação, em 3 de março, houve um crescimento acentuado nos casos suspeitos. Do dia 3 até o dia 19 de março ocorreu um crescimento gradativo. Após essa data, houve um pico entre os dias 25 e 31.

Segundo os dados, no dia 25 foram 8 notificações; depois vieram 4 dias seguidos com 5 notificações cada, e 7 nos dias 30 e 31. “Mantendo uma média de 5 notificações por dia e considerando que cada pessoa infectada passa para outras 3, numa conta simples teremos mais de 500 casos muito rapidamente”, afirmou.

A secretária destacou que as medidas de isolamento social e preventivas precisam ser cumpridas para diminuir a velocidade de transmissão do vírus.

Ainda segundo os dados apresentados pela Secretaria de Saúde, até o último dia do mês de março, 20% dos pacientes suspeitos e confirmados passaram ou estão numa Unidade de Terapia Intensiva (UTI); 27% dos casos estão em isolamento clínico e 53% em isolamento domiciliar.

A região Sul da cidade concentra o maior número de notificações dos casos de Covid-19, 28%; a região caracterizada como Centro/Sul, 16%; 22% das notificações estão na Zona Norte; 14% na região Centro/Norte; e 21% na zona rural – 12 casos, segundo a secretária Marina, todos da mesma família.

Segundo Marina, os casos descartados e confirmados estão muito parecidos. “Nosso momento é preocupante”, afirmou. “Quando as famílias cumprem o isolamento social e o comércio está colaborando, nós diminuímos o número de notificados.

Nós estamos fiscalizando os comércios que abrem e apenas essas aberturas já fez aumentar o número de notificações. O isolamento diminui a velocidade de transmissão do vírus. Se liberarmos tudo, teremos um colapso no sistema de saúde e muitas pessoas contaminadas. Medidas de prevenção são necessárias para preservar vidas. Nós estamos preocupados com vidas”, finalizou a secretária.

ESTUDO APONTA QUE QUARENTENA SEGURA PICO DA PANDEMIA E IMPEDE SOBRECARGA DE LEITOS

De acordo com estudo realizado pelo Instituto Butantan, em parceria com o Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo e a Universidade de Brasília (UnB), as medidas de contenção ao novo Coronavírus implementadas pelo Governo do Estado de São Paulo surtem efeito e já seguram a disseminação da Covid-19, garantindo disponibilidade de leitos na rede hospitalar. De acordo com o estudo, sem a quarentena decretada pelas administrações estadual e municipais, o pico de casos de internação ocorreria já na primeira semana de abril e o sistema de saúde entraria em colapso.

Os dados mostram que, antes da quarentena, a velocidade de transmissão de casos era de uma pessoa para seis, o que exigiria acrescer 20 mil leitos à rede pública da capital paulista, dos quais 14 mil hospitalares e 6 mil de UTI (Unidade de Terapia Intensiva). As medidas de restrição vigentes reduziram os índices de contágio. A taxa era de uma pessoa para três em 20 de março e caiu de uma para duas pessoas em 25 de março.

Ainda segundo projeções realizadas por epidemiologistas do Instituto Butantan, sem as medidas de restrições do Governo de São Paulo, a epidemia de coronavírus no Estado duraria 180 dias, contados desde fevereiro – quando o primeiro caso foi registrado -, e terminaria em setembro.

Nesse cenário, seriam ao todo 277 mil mortes, 1,3 milhão de hospitalizados e 315 mil casos graves com necessidade de internação em UTI. Já com as medidas adotadas o número de mortes poderá a chegar a 111 mil, com 670 mil hospitalizações e 147 mil casos graves.