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Voto emocional e racional

publicado em 13 de outubro de 2018 - Por Antônio Carlos de Almeida

No primeiro semestre de 2013, uma série de manifestações populares ocorreu nas ruas de centenas de cidades brasileiras. O foco inicial de reivindicação era a redução das tarifas do transporte coletivo. Ampliaram-se, ganhando um número maior de pessoas e também novas reivindicações.

A radicalização de alguns grupos e a violência policial diante dos atos públicos contribuiu para que mais pessoas fossem às ruas para garantir os direitos de livre manifestação. Ficava no ar apreensão diante da possibilidade de tempos conturbados.

As eleições gerais de 2014 foram marcadas por intensa vontade de mudança. Parte dos eleitores entendeu que a mudança viria por meio de Dilma. Outra parte entendeu que a transformação viria por meio de Aécio.

A diferença de votos entre os dois foi pequena. Ela recebeu 51,65% dos votos. Ele, 48,35%. Eleitoralmente, a eleição resultou num país dividido, metade para cada lado. Antes da metade do mandato, Dilma foi destituída do poder que lhe foi concedido nas urnas.

Em maio deste ano, a greve dos caminhoneiros sinalizou, de novo, acentuado descontentamento de segmentos populares diante do quadro econômico, social e político do país. Impressionou a muitos a rapidez com que o desabastecimento de combustíveis e de outros produtos logo se fez sentir, levando a população à experiência de que equilíbrio precário muito rapidamente pode se transformar em desequilíbrio generalizado, com não poucos focos de violência incendiária.

Agora, mais uma vez, forte desejo de mudança esteve presente durante a campanha eleitoral. As primeiras análises apontam para um crescimento da extrema direita. Partidos fortes nas últimas décadas cederam espaço para agremiações que até 8 de outubro tinham expressão quase nula.

Na onda do capitão Bolsonaro e do General Mourão, vários delegados e militares receberam expressiva votação: Wladir (PSL), Pablo (PSL),  Péricles (PSL), Gleide (PSB), Franscischini (PSL),  Olim (PP) e, também, Coronel Talhada (PP), Major Mecca (PSL), Policial Kátia (PR), Capitão Augusto (PR), Tenente Derrite (PP), Coronel Tadeu (PSL) e Major Olímpio (PSL).

Nada contra policiais e militares. O que se observa nesta eleição é que saúde, desemprego, educação, aposentadoria, crescimento econômico, relações internacionais parecem ter sido menos decisivos do que segurança pública. A promessa de tratar bandidos a bala despertou especial fascínio. Se resolvesse, o Rio de Janeiro, com intervenção forças de segurança, já seria de novo cidade maravilhosa para viver e passear.

Vivemos um momento de acirramento de posições. Confrontos estão bem presentes. As falas políticas não tendem ao diálogo necessário. Cada um defende com veemência a sua posição. Temos ainda alguns dias. Continuo pensando que vale a pena observar, analisar, dialogar, elaborar conceitos.

Sempre que preciso escolher entre duas opções, levo em consideração o feeling, mas também faço uma análise aritmética. Relaciono alguns aspectos da questão em análise e vou dando valores de 0 a 5 a cada um dos aspectos. Ao somar os pontos, às vezes, a conclusão analítica é diferente da conclusão simplesmente emocional.

De 0 a 5, que nota você dá para cada um dos candidatos a presidente da República  e para cada um dos candidatos a governador do Estado: 1. Formação, 2. Vida pessoal, 3. Experiência administrativa, 4. Habilidade política, 5. Equipe de governo, 6. Vice escolhido, 7. Visão de mundo, 8. Relacionamento internacional, 9. Segurança pública, 10. Geração de empregos, 11. Aposentadoria, 12. Projetos para a saúde, 13. Programas educacionais, 14. Relação com o mercado e 15. Partidos coligados.

Quantos pontos somou seu candidato? E o seu concorrente? É tempo de analisar, comparar, decidir e escolher bem para os próximos 4 anos e para o futuro do país.