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Voltemos ao Carnaval: As escolas de samba são teatros a céu aberto

publicado em 9 de março de 2019 - Por Dirce Guimarães

É dito por muitos que no nosso Brasil o ano se inicia após o carnaval. Pois é, mas neste ano muitas peripécias aconteceram antes e durante o carnaval, numa cidade construída pelo Presidente JK para ser sede do Governo Federal. Recebeu o nome de Brasília e faz jus ao qualificativo “suntuosa”, e como ali se gasta o meu, o seu, o nosso dinheiro! Dois meses iniciais na Presidência da República e o presidente titular parece que ainda não se deu conta da envergadura do cargo que ocupa.

Seus comentários, seus posicionamentos contraditórios com a sua equipe, a sua postagem de atos obscenos ocorridos no Carnaval maculam muito mais a sua imagem do que a do Carnaval brasileiro. É complicado ele se fazer de protagonista de fatos que levam a concluir o seu despreparo para o cargo. Há uma grande distância entre “se expor” e “ser exposto”. Ele está na primeira situação, fica difícil desculpá-lo. Coitado do Vice Mourão, acumula a função de ser o revisor das falas do Presidente já “faladas”. Por certo, sem êxito.

VOLTEMOS AO CARNAVAL: AS ESCOLAS DE SAMBA SÃO TEATROS A CÉU ABERTO. PARA ENTENDÊ-LAS É PRECISO CONHECER OS SEUS ENREDOS

No Rio, a Escola vitoriosa foi a Mangueira, que com o seu samba enredo intitulado “História para ninar Gente Grande” deu-nos uma aula de história política, trouxe questionamentos esclarecedores para uns, conflitantes para outros, importantes para todos.

Os carros alegóricos, as alas, as fantasias, todos em perfeita sintonia, ganharam aplausos na passarela. O júri foi competente na atribuição de pontos. Hoje temos bragantinos e bragantinas no Rio para assistirem a Apoteose das Escolas de Samba classificadas nos primeiros lugares. São espetáculos de 1ª grandeza.

Aqui na nossa Bragança, a Escola de Samba vitoriosa do Grupo Especial foi a Nove de Julho, do tradicional Bairro do Taboão. Desfilou com o samba-enredo: “Repolho: Taboão Berço do meu Samba”.

O tema foi bem trabalhado, reviveu na passarela a Estrada de Ferro Bragantina, que por longos anos compôs ali o seu cenário, a locomotiva encantou a todos, mexeu com o emocional; relembrou o Campo de Aviação, hoje o importante Aeroporto “Arthur Siqueira”; a Universidade São Francisco, que pela sua competência leva o nome de nossa Bragança pelo país; o Ferroviário Atlético Clube, cujo nome nos remete aos funcionários da extinta EFB, brilha nas suas conquistas. Desfilou na madrugada de domingo para segunda. Ostentou beleza, brilho, elegância. Parabéns aos organizadores, nas pessoas de Ana Carla Acedo e Felipe Pannunzio, e a todos os componentes.

Um dos focos do enredo da Escola de Samba Nove de Julho que perdeu sua materialidade é a extinta Estrada de Ferro Bragantina. Os prédios de construção sólida das suas Estações urbanas, dos seus galpões foram demolidos sem necessidade, os pontilhões/arte em ferro fundido não temos os seus destinos; portas, janelas, madeiramentos, trilhos, equipamentos da oficina etc.etc.etc. tudo se perdeu. “Nada ficou no lugar”. Ninguém pensou em criar um museu para abrigar o seu rico acervo. Ah! Se não fossem os memorialistas que guardam sua história e os arquivos vivos (eu, você, nós, eles). Prefeitos que passaram e que passam por nossa Bragança, uma parte deixa marcos de destruição. São desprovidos de sintonia cultural fina. Predomina o tosco, o rude, o grosseiro.

Pois é, para tristeza nossa e de outros “arquivos vivos”, vimos no ano que passou a Praça da Estação do Taboão, hoje chamada Nove de Julho ser transformada pela atual Administração Municipal em Corredor de Passagem para os que buscam o Circuito das Águas. Para nós, moradores de Bragança, essa intervenção serviu para complicar ainda mais o trânsito no local e adjacências.

E assim se foram os resquícios últimos da Estação do Taboão que, se preservada no seu todo, incluindo trechos da “linha do trem”, teríamos uma bela atração turística com espaços alinhados para arte e cultura. Lembrem-se não só do prédio da Estação, mas dos enormes galpões às margens do Lago do Taboão, da casa antiga, digna de preservação, todos eram patrimônios históricos de nossa Bragança. Procurem pelo nome do Prefeito que derrubou esses anexos e ainda afixou no portão de entrada uma placa com os dizeres, como se fosse uma conquista: “Aqui era a Antiga Madeireira”, a ocupação da época. Faltou o complemento: “Agora o vazio, o nada”. Que estupidez essa destruição!

Pois é, o Carnaval passou. Que o ano comece na Prefeitura sem percalços, sem sanfona, com o seu vai e volta dos atos oficiais. Quando começamos a acreditar que a coisa embalou, tudo volta para a estaca zero. É assim que está a restauração do “Theatro Carlos Gomes” desde a sua compra em 2005 pelo atual prefeito. Será que estará terminado pela degradação do tempo ou de fato a sua restauração estará terminada em 31/12/2020? Resta só um ano e mais nove meses para o término da atual administração. Ufa!

Estamos esperando que algum Vereador questione a contratação pela Prefeitura de um escritório de engenharia para desenvolver 61 Projetos em várias áreas. Inclui na sua listagem obras mínimas em 48 prédios escolares; em 23 prédios são obras de acessibilidade e em outros 25 prédios são obras de prevenção e combate a incêndios. A Prefeitura tem no seu RH pessoal suficientemente habilitado para tais fins. Será que há necessidade de se gastar R$1 milhão para esses Projetos? Fonte: BJD de 21/02/2019.

A um custo de R$12 mil de salário mensal para cada vereador, mais assessoria particular, mais toda estrutura administrativa, jurídica, financeira da Câmara Municipal, é dever funcional que cada Vereador cumpra o seu dever de fiscalizar os Atos Oficiais do Prefeito. Simbiose não!