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Você sabe o que é consumo consciente?

publicado em 14 de agosto de 2018 - Por Ambiente em Pauta

Numa economia onde há uma pressão constante para que as pessoas consumam, independentemente deste ato garantir melhoria de qualidade de vida, tornou-se fundamental compreender por que consumimos e até que ponto nossas opções (ou falta delas) interferem nas questões socioambientais.

Considerando ainda que a humanidade atingiu patamares de consumo de recursos naturais maiores do que a capacidade de reposição do planeta, uma educação para o consumo pode ser um primeiro passo para dar visibilidade a muitas questões que envolvem a economia, a distribuição altamente desigual de recursos naturais na sociedade e a distribuição altamente desigual dos impactos ambientais.

Neste sentido, temos que entender num primeiro momento que há duas formas de compreendermos o tratamento do que é consumo consciente: na primeira, é dar visibilidade à captura do movimento por grande parte dos profissionais do marketing, nesta abordagem mercadológica o consumidor “consciente” é visto apenas como mais um segmento de mercado.

Nesta mesma linha, empresas muitas vezes utilizam de propagandas enganosas sobre sua conduta cuidadosa em relação às questões sociais e ambientais – propagandas essas conhecidas como “greenwashing” ou maquiagem/lavagem verde. Através desta estratégia, produtos e serviços passam a usar como apelo diferencial sua suposta posição de proteção à sociedade e ambiente sem, entretanto, garantir isso na prática.

Nesta prática o uso de informações que geram incertezas, que são irrelevantes, ou que mascaram malefícios, além obviamente da descarada mentira, fazem parte do rol de estratégias enganosas para ganhar um diferencial de concorrência no mercado. Numa perspectiva ativa, segundo o ministério do meio ambiente, o consumo consciente pode ser definido como um consumo com consciência de seu impacto voltado para a sustentabilidade do planeta. Trata-se de uma contribuição voluntária, cotidiana e solidária baseado em mudanças de hábitos.

O consumo consciente não tem fórmula, e deve ser um ato de consciência do que realmente necessitamos, de como obtemos aquilo que necessitamos buscando garantir o máximo de impacto positivo social e ambiental. Isso ocorre principalmente a partir de estratégias locais e de economia solidária.

Entre alguns exemplos podemos citar feiras de trocas, incentivo a produção de produtos e alimentos por pequenos da região, entre outras práticas. Uma pesquisa recente do Instituto Akatu denominada Panorama do consumo consciente no Brasil: desafios, barreiras e motivações (2018) explorou o assunto. Os consumidores entrevistados foram classificados de acordo com seus hábitos sendo eles: indiferentes, iniciantes, engajados e conscientes.

Os resultados da pesquisa apontaram que 76% dos consumidores podem ser caracterizados como indiferentes ou iniciantes. O nível de consciência no consumo está associado as pessoas com melhores rendimentos, que possuem maiores níveis de escolaridade (ensino superior) e com perfil etário (de idade) acima dos 65 anos. A pesquisa mostra ainda que o brasileiro tem entre suas preferências de desejo, com exceção ao desejo de ter um carro próprio, alternativas de “estilo de vida “mais saudável, “alimentos frescos e nutritivos’, “água limpa’, ‘ter tempo para as pessoas que gosta’, que mostram um alinhamento geral com a abordagem de sustentabilidade.

Uma das principais barreiras apontadas para ampliação do consumo consciente, segundo a pesquisa Akatu, foram: “as mudanças nos hábitos da família”, “custo alto”, “exigência de maiores informações sobre as questões de impactos sociais e ambientais”,” é mais trabalhoso”, “são mais difíceis de encontrar para comprar”. Saiba mais! Aqui uma experiência que incentiva o consumo consciente. CSA (Comunidades que sustentam agricultura)

https://g1.globo.com/economia/agronegocios/globo-rural/noticia/2018/07/22/csa-modelo-de-producao-aproxima-agricultores-e-consumidores-entenda-como-funciona.ghtml Patrícia Martinelli, Geógrafa, colaboradora do Coletivo Socioambiental Bragança Mais