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VIVENDO COM PENSADORES

publicado em 13 de maio de 2022 - Por Pastor Jessé

“Inquieto está o nosso coração”, declarou Agostinho no séc. IV em seu livro “Confissões”. Ao fazer essa constatação, ele não se referia a uma fase ou momento. Ele se referia à condição constante e comum a todo ser humano.

Agostinho entendia do assunto. Era um homem arguto, catedrático e dado a reflexão filosófica. Foi seguidor tanto do Maniqueísmo como do Platonismo. Também foi, na juventude, um libertino. Depois, passou por um quebrantamento, encontrando Deus revelado em Cristo. Vencida sua inquietação, Agostinho se torna um filósofo e teólogo hábil. Entendeu e explicou a inquietação humana.

É relevante também considerar a conclusão do pensador Blaise Pascal. Ele apontou que há um “infinito abismo” dentro de cada ser humano. Vivendo no séc. XVII. Pascalfoi um expoente na matemática e filosofia. Educado na fé cristã, Pascal se afasta dela na juventude. Tempos depois passou por uma profunda experiência espiritual, se convertendo à fé cristã de forma marcante. Pascal descrevia seu encontro com Deus em Cristo como “fogo”.

Posterior à sua conversão, no livro “Pensamentos”, Pascal explicou que esse “infinito abismo” vem do fato “que houve uma vez no homem uma verdadeira felicidade. Mas agora resta apenas a marca e o traço vazio. E o ser humano tenta em vão tenta preencher…”. E ele advertiu que esse vazio não pode ser preenchido com a realidade mundana.

Pascal afirmou que “o infinito abismo só pode ser preenchido por um objeto infinito e imutável, isto é, somente pelo próprio Deus”. Séculos antes, Agostinho declarou diante de Deus: “Fizeste-nos, Senhor, para Ti, e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em Ti.”

O hábil pensador C.S. Lewis observou: “…eu encontro em mim um desejo que nenhuma experiência desse mundo possa satisfazer…”. Tendo sido criado num ambiente cristão, na adolescência Lewis se tornou um ateu convicto. Veio a ser professor nas renomadas universidades Oxford e Cambridge na Inglaterra, falecendo em 1963. Mas, quando no sucesso da carreira, Lewis se converteu à fé cristã.

No livro “Cristianismo Puro e Simples”, Lewis tratou desse anseio basilar e insaciável do ser humano. Ele apontou que o ser humano pode conseguir, ou não, satisfazer seus desejos neste mundo. Porém, todos os desejos que se tem, no mundo há o potencial e fontes que podem satisfazer esses desejos em alguma medida.

Entretanto, concluiu Lewis, se há um único e basilar anseio que o mundo não pode satisfazer, isso reduz a vida humana a uma farsa. Porém, a conclusão deve ser outra. Lewis ponderou que esse anseio mais profundo na alma, que nada no mundo satisfaz, existe para ser satisfeito por outra realidade e mundo.

Avançando na reflexão, Lewis concluiu que “os prazeres terrenos não têm o propósito de satisfazer o ser humano, mas somente de despertá-lo, de sugerir a coisa real”. As bênçãos das realizações terrenas “não passam de um tipo de cópia, ou eco…”. Elas apenas provocam a “inquietação”, percebida por Agostinho. E o sentimento de um “infinito abismo”, apontado por Pascal.

  1. S. Lewis concluiu que esse anseio maior na alma revela que “fui feito para outro mundo.” Enfim, o ser humano necessita desesperadamente das palavras de Jesus Cristo: “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim. Na casa de meu Pai há muitos aposentos; se não fosse assim, eu lhes teria dito. Vou preparar-lhes lugar… Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim. Se vocês realmente me conhecessem, conheceriam também o meu Pai. Já agora vocês o conhecem e o têm visto”. (Bíblia, João 14:1-6)

(As opiniões do autor não são necessariamente as da Igreja Batista e seus membros)


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